quarta-feira, 8 de julho de 2009


Vou escarrar palavras de amor bem em cheio na tua cara.

Vê-las a deslizar suavemente e a entrarem na tua boca.

Semearei o que ainda restar dessas palavras nos jardins de malmequeres.

Ficarei lá a ve-las crescer e florir. A tornarem-se as mais belas flores.

Serão flores imponentes e o seu perfume corrosivo.

Embriagarão as pessoas sonhadoras como eu.

As sombras iluminarão as suas belas pétalas.

E o vento espalhará a sua essência.

Chegará até ao fim do mundo.

Eu cortarei um pequeno numero dessas flores

E oferecerei a belas almas transeuntes

De que valerá ter flores se as não poder oferecer?

Parto rumo ao desconhecido munido apenas com um sorriso.
Nada desejo talvez do que irei encontrar.
Não sei o que procurar nem o que a mim procura,
mas parto rumo a esse destino algures aparecido.
Quando lá chegar o meu sorriso irá encontrar irmãos que para sempre julgava perdidos.
Será um reencontro emotivo e uma imagem a preservar, ver sorrisos a chorar.
As suas lágrimas de alegria formarão um pequeno lago onde afogarei as minhas incertezas.
E nesse lugar desconhecido rodeado de sorrisos irei talvez encontrar o que pensava perdido.

terça-feira, 7 de julho de 2009


Espero por ti na esquina da felicidade com a da desilusão.
Olho todos os vultos que se cruzam comigo, na esperança que sejas tu.
Estás a demorar tanto...
O que te terá acontecido?
Estarás arrependida?
As palavras no momento...
Espera tortuosa mas talvez recompensada.
A chuva acompanha-me na espera. Antecipa as lágrimas. Tu não vens...
Tempestuosa agora a noite, eu sentado na calçada esperando a minha amada.
A noite transformou-se em dia e eu sempre à sua espera...


Imóvel permaneço nesta rua deserta e já passaram 100 anos.
Os vultos continuo a olhar com a esperança de te encontrar.
Perdeste-te algures no caminho mas eu sei que virás.
Com o poema na mão sempre estive.
As palavras que te escrevi estão aqui para serem recitadas.
Agora que sinto a Morte a chegar na minha lápide irão estar.
Porque eu sei que um dia me irás encontrar.






Hostilizar os momentos. Denegrir o futuro. Espreitar pela janela e escarrar nas pessoas que anónimamente se acomodam nesta modorra imensa. Esperar pela agressão de algo que gosto que me agrida. Ficar com a cara em papos de tantos socos. Sangue a escorrer por todo o meu corpo e depois vou a correr para os teus braços na esperança que me cures as feridas. E de repente fica tudo bem e as lesões desaparecem...

A mascara da sanidade caiu. Tudo que era humano em mim acabou por me abandonar. Existe uma ideia errada do que eu sou, do que o meu nome inspira. Debaixo desta pele, carne e osso esconde-se algo de terrível que recuso a compartilhar com o resto das pessoas. É algo demasiado horrível para se conseguir traduzir em palavras. É a soma de todos os males conhecidos e desconhecidos. É uma vontade luteriana de destruição.
Escondo-me entre aquelas palavras. Deixo escapar um sorriso por entre o desejo de te torturar.
Olho para as pessoas e desejo comer-lhes a alma. Provocar dores infindáveis e arrancar os olhos para substituir os meus. Talvez o problema seja o que os meus olhos avistam, por isso desejo substitui-los. Se me deres os teus olhos talvez veja as coisas de outra forma. Talvez veja o arco-íris e o nascer do sol. Talvez veja algo de belo como tu.
A beleza está proibida de desfilar perante mim. Por isso esta enorme vontade de desfigurar e desmembrar o que é considerado belo. É a constante procura de preencher este vazio. É o eterno desejo de deixar de ser cego. É a justiça sob a forma de injustiça. É o extermínio do que me atormenta...
É a simples vontade de não querer ser eu...
"When i meet a girl half of me wants to be kind to her, take her out to dinner, make her laugh and fall in love with her. The other half just wonders how her head will look in a stick..." Ed Gein
Prevejo um motim de sentimentos. Eles irão entrar em ebulição e destruirão tudo que se lhes depare. Prevejo que os sentimentos amotinados e irados terminarão o saque de emoções quando já não restar alguma. As emoções estilhaçadas e mutiladas jazerão no solo junto com os destroços.
Esta rebelião dos sentimentos é tentada controlar pela mílicia do pensamento. Vislumbres negros são arremessados contra a multidão de sentimentos. Tamanha violência entre os sentimentos, emoções e pensamentos. Batalha campal, guerra sangrenta. Emoções saem desta batalha totalmente aniquiladas. Nenhuma resta... Genocidas de emoções, os sentimentos armados apenas com a sua enorme vontade de destruição, atacam sem piedade os pensamentos. As palavras disparadas pelos pensamentos não causam danos. Completamente imunes e indestrutíveis os sentimentos deixam um rasto enorme de sangue e de cadáveres. A seus pés jazem mutilados e estilhaçados pensamentos e emoções, muitos dos quais abraçados. Receberam o ódio dos sentimentos abraçados e assim esperaram a morte.

Vencedores desta revolta localizada, vangloriam-se. Chegaram ao poder e não estou a ver exercito com artilharia suficiente para os destituir. Se alguém conhecer...