terça-feira, 20 de outubro de 2009

Hoje sim. O mundo ruiu a meus pés...

Apesar de ter 28 anos às vezes pareço uma criança que ainda acredita no pai natal. Já que o natal é quando o homem quer, eu fico a olhar para a chaminé à espera que ele desça e me traga uma prenda. Talvez aquilo que sempre desejei. Já perdi o rasto de quantas vezes o pedi.
Mas tenho a sensação cravada dentro de mim que o que me sairá no sapatinho será uma cartola e uma bengala e assim transformar-me-ei no Alex do "Laranja Mecánica" e finalmente a ultra violência que está armazenada a um canto dentro de mim e guardada a 7 chaves jorrará finalmente. Vou cantar na chuva enquanto pontapeio todos os males hipócritas que só eu vejo. Rir-me-ei na cara dos meus inimigos e assumirei controlo de todos os motins sem sentido que ocorrerão à minha passagem. Beware of the beast.MUAHAHAHA!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Grande Saramago!



É preciso ter tomates para abalar o nosso tão católico país com tamanhas blasfémias.
Coitadinhos dos cristãos, ficaram tão ofendidos! És um herege Saramago. Arderás no fogo do inferno e todos os teus leitores irão fazer-te companhia. Eu serei o primeiro a saltar para a fogueira.
Quero ser excomungado! Fui baptizado e quero que o meu nome seja retirado do livro dos católicos.
Onde está dar a outra face, tanto apregoada pelo cristianismo? Bullshit.
Opressão! o sinónimo perfeito para Igreja.
Ai coitadinho do rapaz que está na cruz com a coroa de espinhos enfiada na cabeça! Morreu para a humanidade se salvar. Valeu a pena? A humanidade salvou-se?
Os cavaleiros do apocalipse continuam a correr o mundo.
Outra inquisição precisa-se, urgentemente. Vamos queimar os livros blasfemos!
Vamos organizar novas cruzadas e orquestrar genocidios dos supostos infíeis!
Vamos... vamos mas é todos poh caralho!
É suposto existir liberdade de expressão, mas isso é só para inglês ver.
Condenem-me sacerdotes e papas pois eu não acredito em deus! Acredito em mim. Eu escrevo as minhas próprias regras.

domingo, 18 de outubro de 2009

Crónicas de um domingo à tarde num bar com net wireless.

Musicas ocas de conteudo bombardeiam os meus timpanos enquanto transeuntes de fins de semana esforçam-se por manter um sorriso falso colado aos seus lábios.
Estou embriagado pela sobriedade. Desta vez a entrada para um local diferente parece estar mais distante, como se eu tivesse perdido a chave da porta.
É uma boa ocasião para observar atentamente todas as pessoas que me rodeiam e com quem eu converso em silêncio.
Todos esforçam-se por simular um ar de felicidade e de ter conversas repletas de conteudo. As suas vestimentas domingueiras parecem exalar sinais de superficial bem estar.
Alguns olhares cruzam-se com o meu. Alguns demoram-se mais do que aquela fracção de segundo necessária para estabelecer um reconhecimento.Como se estivessem a avaliar a minha pessoa que aspira vagarosamente o fumo de mais um cigarro.
Que ideias formularão os seus cérebros sobre mim?
"Quem será aquele homem com vastas olheiras e cabelo todo desgrenhado?"
"Estará ele à espera de alguém? Mulher não será certamente. Olhar para ele mete dó."
Não me interessa. Estou refugiado no meu anonimato. Como se tivesse um escudo invisível à minha volta que estilhaça as ideias pré-definidas sobre mim.
A minha visão foca-se em quadros vagos de sentido, adquiridos em uma qualquer loja dos 300. O objectivo será colorir as paredes negras do fumo do tabaco.
Pseudo-intelectuais pavoneiam-se com o jornal debaixo do braço para aceitarem as ideias escritas por outros e com uma artimanha qualquer transformarem-nas em suas.
Gostava de ser jornalista de um jornal. Os poucos que os leêm encaram as palavras impressas neles com mais seriedade do que a bíblia.Como se o facto de um qualquer menino rico que tenha o papá como director de um jornal e um curso de jornalismo completado ao fim de quase uma década fosse um messias. O que a televisão e os jornais dizem são verdades absolutas. "Atenção! Não podes contestar isto porque li isso no JN e vi uma reportagem na Sic. Isto é a mais pura verdade!"
Trabalhei algum tempo numa empresa que dirigia o jornal da minha terra. Assisti a todas as intrigas e jogos de poder presentes numa pequena publicação. Multiplico isso por alguns milhares e imagino o que serão as redacções de jornais e televisões nacionais.
Apesar de não curso superior algum, tenho bem presentes as regras do jornalismo. Ou melhor Pseudo- regras. Ética profissional é algo que não se aplica a qualquer profissão pela qual tenha passado e já foram várias. O jornalismo não será a excepção. É o velho e eterno "Façam o que eu digo e não o que eu faço."
Qual será a profissão ideal para mim? Talvez musico. Mas só se fosse numa banda em que os restantes membros fossem as minhas restantes personalidades. Pelo menos, por muito conflito que podesse existir um entendimento chegaria sempre. Todos os projectos musicais em que me envolvi extinguiram-se com a mesma rapidez com que foram ateados. Estou cansado de ser moderador de debates sem nexo entre personalidades díspares que tem sempre como desfecho o término de muitas horas de dedicação e paixão inquantifícaveis da minha parte.
Por isso é que gosto de escrever. Não tenho que agradar a ninguém, nem a mim próprio. Saem as palavras da forma mais natural do mundo. Mas a nível profissional, nem pensar. Eu não tenho um papel que diz que frequentei uma universidade xpto. Limitar-me-ei a escrever para mim próprio e para quem me quiser ler. Pelo menos isso posso fazer sózinho. O resto estou sempre dependente de outras pessoas e eu não acredito em ninguém. Nem que aparecesse a minha alma gémea agora à minha frente mereceria a minha confiança.

sábado, 17 de outubro de 2009

Isto não é um poema, é uma epopeia.

Dobram os sinos
Por todos os irados
Pelos perdidos destinos
Pelos sonhos finados

Cada badalada
Significa vida
Perde-se uma amada
Encontra-se a alma fugida

Rezam os crentes
Desejando felicidades
São intermitentes
As falsas verdades

Os sinos dobram
Anunciando o fim
Refuto os que choram
Algures por mim

Onde outros veem morte
Eu encontro vida
Outro tipo de sorte
Aguarda em cada dormida

Os sinos anunciam o quê?
A morte do amor?
O eterno porquê
ou a infindável dor?

Os amores nascem e morrem
Indiferentes às lágrimas
Distintas elas correm
Por alegrias e lástimas

Os sinos dobram pelos que amam
Bem aventurados sejam
Os que não desarmam
Na busca de quem desejam.

Dia europeu da depressão.

A doença mais grave que alguma vez tive.
Felizmente já ultrapassada e os melhores anti-depressivos que tive foram todos os meus verdadeiros amigos, que consumi em doses cavalares juntamente com overdoses de paciência e compreensão alheias.
É uma doença silenciosa mas que deixa marcas profundas.
Sei que não sou igual ao que era anteriormente a tão trágico episódio.
Mudei muito. Fiquei mais forte psicológicamente e aprendi a dar imenso valor a pequenas coisas que a maioria das pessoas dá por certa e que acabam por perder o valor que alguma vez tiveram, se é que alguma lhe foi reconhecido algum valor.
Um bom dia dito por alguém, uma mensagem no telemóvel a convidar para um café, o sabor de uma cerveja gelada, etc...
São tantas as pequenas coisas que me provocam um sorriso no rosto e devo-o a muita gente que não desistiu de mim quando eu já o tinha feito.
Sei que não necessito agradecer a ninguém. Esse agradecimento já está explícito no meu olhar e em todos os sorrisos que me são endereçados. O meu coração atingiu um tamanho gigantesco já que alberga tantas pessoas.
OBRIGADO! Não vou deixar aqui nomes, porque quem está no meu coração tem plena consciência desse facto.

Um pequeno, mas ao mesmo tempo enorme, obrigado a este desfilar de palavras que é o meu blog. Criado no seio da tempestade que me assolava resistiu até hoje e é o meu mais sincero confidente.
Obrigado a todos os leitores das minhas palavras que não conheço pessoalmente pelos tão amáveis comentários. Obrigado por visitarem regularmente os meus devaneios embora muito do que escreva não faça sentido.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Estás entranhada na minha pele.
Por mais que me esfregue não te consigo arrancar.
Não és uma qualquer espécie de tatuagem superficial que todos conseguem ver.
Estás nas minhas profundezas. Respiras através dos meus poros. Eu sinto a tua respiração a todos os segundos do dia.
Honestamente falando, não te quero remover.
Se existe realmente algo belo em mim, esse belo és tu.
Dizem que devo amar-me. Se o fizer é porque fazes parte de mim.