quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Fiquemos aqui mais um pouco...
Abraçados pela neblina matinal absorvendo as gélidas vagas de pensamentos impuros que penetram os poros.

Fiquemos aqui mais um pouco...
Observando o mundo adormecido e embalado pelos nossos sonhos.

Fiquemos aqui mais um pouco...
Respirando a pacifíca revolução das ondas do mar. Por mais esquecidas que sejam elas têm razão de viver.

Fiquemos aqui mais um pouco...
À espera que tudo faça sentido.

Fiquemos aqui mais um pouco...
Quanto tempo? O tempo perdeu o seu valor

Fiquemos aqui mais um pouco...
Até sentirmos que devemos ir para lado algum.

Fiquemos aqui mais um pouco...
Até o vento nos embalar no mais doce sonho com as suas melodia.

Aí sim podemos partir...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Algures no limbo entre o metal e o rock é onde eu me encontro. Uma das bandas que intercala escuridão e harmonia na perfeição: Opeth...

Eclodem nos negros céus
Prelúdios de futuros anuncios
Palavras despidas de seus veus
E também dos infortunios

Noções ratificadas
Recebidas em delírio
Almas ovacionadas
Escapam ao genocídio.

O céu dá as boas vindas
A quem o relegou
Recuperadas estão as vidas
De quem as antes negou

Rascunhos de optimismo
Flutuam pelo vento
De novo individualismo
Ou apenas de alento

Todos que em mim vivem
Cohabitam pacíficamente
Guarida em mim têm
Tornámo-nos uma só mente.

Assinado está o armistício
Algures esteve refugiado
Findo está o suplício
E regressado o amado.

É tempo de orgias
Como nos tempos de Baco
Infindáveis alegrias
Sepultado o passado velhaco.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Atrocidade decidida por políticos incultos. É assim que eu vejo o novo acordo ortográfico que brevemente entrará em vigor. Alguns jornais de tiragem nacional já são escritos obedecendo a essas regras inócuas.
É deitar ao lixo tantos séculos de grande literatura portuguesa. Com esta aberração, daqui a uns anos, muitos putos escarniarão as obras imortais de grandes autores portugueses. Supostamente estarão cheias de erros. Estupidez…
Tenho um pouco de nacionalista dentro de mim. Tudo o que é bom em Portugal deveria ser preservado e inalterado. A língua portuguesa é do que melhor este país possui e agora é trucidada por quem decide. Infelizmente quem tem esse privilégio de decidir sobre o país, fá-lo sempre da pior forma possível. Da mesma forma que todos os monumentos nacionais estão a cair aos bocados, agora será a língua portuguesa que será degrada.
Não votei nas ultimas eleições e supostamente não posso protestar. O meu protesto será mudo. E será através do meu blog…
Este blog está e estará isento eternamente das novas regras do acordo ortográfico. Não vou mudar a minha forma de escrever porque os políticos assim o decidiram…
Há uma nova pandemia a ostracizar multidões. Não a gripe A, mas sim uma depressão colectiva. Vejo pessoas muito chegadas a mergulhar nas águas gélidas da tristeza e das mazelas mentais.
É estranho estar agora no lugar de espectador de tão lúgubre espectáculo. Os meus passos percorreram esses mesmos palcos negros e declamei as palavras soturnas e ausentes de esperança-
Não sou nenhum mártir, mas a minha experiência passada e opções erradas serviram de exemplo a muita gente para não repetirem os erros dos quais eu possuo os direitos de autor.
Observo o quão difícil é entrar numa mente barricada na mais profunda penúria, mas eu consigo…
Brando habilmente a minha espada da compreensão e paciência infinita. E com ela derroto o inimigo que derrotei uma vez e que canalizou a sua raiva contra mim em quem me é querido.
Sou o exterminador de depressões…. E depois de ter dizimado toda e qualquer melancolia, digo “I´ll be back”…
Estão erguidas as muralhas para o sol não contaminar a escuridão doce onde acaricias todas as tuas mágoas e atribuis nomes carinhosos a cada uma.
Perante a sua imponência, os mais vitoriosos e conquistadores exércitos batem em retirada e anunciam aos 4 ventos a sua derrota.
Só, eu resto observando-as. A única arma que possuo para a invasão é a minha compreensão.
Tento encontrar a mais ínfima abertura para conseguir entrar.
O rodar do relógio é mais um dos meus inimigos. Mas eu sou um grande general que comando o meu exercito composto apenas por mim. As minhas vitórias são incontáveis. Sou uma versão moderna e actualizada do bíblico David que destrói inúmeros Golias. Escolho as minhas batalhas. Só as que anunciam como impossíveis de vencer merecem o meu respeito.
As tuas muralhas riem-se desafiando-me. Como eu gosto de ter inimigos sarcásticos! Maior será o regozijo da vitória! Quando menos esperares as muralhas estarão em ruínas e eu estarei sentado ao teu lado no teu trono…
Uso dias de forte sentimento anti-social para me entregar ao fantástico universo da literatura escrita por outras almas torturadas e sonhadoras que não a minha.
Escolho alguns livros já lidos anteriormente e que de uma forma ou outra me marcaram.
Um deles é “As portas da percepção” de Aldous Huxley.
Este livro editado em meados do século XX foi extremamente polémico e usado por Jim Morrison para dar nome a uma das imortais bandas que viverá muito para além do dia do cataclismo.
Para quem conhece minimamente a biografia de Jim Morrison isto já será motivo suficiente para deixar água na boca.
Huxley defende neste livro o total e isento de restrições uso de drogas para aumentar o nosso conhecimento.
É uma enciclopédia de drogas e efeitos causados por cada uma.
Um livro que li e reli atentamente, não porque precise de algo que me abra as portas da percepção porque elas estão escancaradas e não precisam de chave. Gosto deste livro porque foi editado no seio de uma época extremamente conservadora e toca em assuntos proibidos e mesmo mais de meio século passado desde a sua edição, muitas serão as mentes que se o lerem atribuiam-lhe imediatamente como destino a fogueira.
Está muito bem escrito e Huxley consegue transmitir e provar a sua mensagem.
Sou contra o uso de drogas para a obtenção do objectivo que Huxley propõe. Ele é possível naturalmente sem artifícios químicos. Basta abolir as barreiras que as pessoas edificam em si próprias e desrespeitar as da sociedade que rege o que a nós não pertence.
Já tive experiências com drogas. Não foram assim tantas nem tão poucas quanto isso.
Nada de cavalo. Não se preocupem… Conheço um numero de alterantes psíquicos, mas que não me provocaram o que Huxley defende precisamente porque não preciso.
No universo das drogas ditas pesadas, conheço a dama branca, como é chamada na minha terrinha. O suposto efeito que devia causar em mim não esteve presente. Único efeito causado: Sobriedade total e absoluta anulação de toda e qualquer vontade de dormir.
Restantes psicotrópicos experimentados por mim no campo das drogas leves. Alheamento total do mundo circundante. Vagas sensações de euforia e total reclusão auto-infligida. Ausência de toda e qualquer capacidade de comunicar. Nada de alucinações e vontade incontrolável de dançar. Imunidade total a todos artifícios denominados alterantes da mente.
Apenas um imenso mal-estar físico…
Prefiro ficar com as minhas drogas que são fáceis de obter e que não pretendem alterar nada em mim: Ler, escrever, fumar, beber e musica. Outra não tão fácil de obter mas quando consigo a minha dose consumo em excesso. A única que gostaria de ter uma overdose: Sexo…