domingo, 6 de dezembro de 2009

É por estas e por outras que Anathema é aquela banda.


Está tudo pincelado de cinzento.

A combinação perfeita entre negro e radioso.

Colorida a ausência de intento

E o conflito entre o bom e tormentoso.


É um espelho reflector de mim.

Pelo criador capturado

Talvez tenha sido sempre assim

No futuro, presente e no passado.


Encontram-se no cinzento

As cores para fazerem-se as demais

Presente em cada momento

Como as lágrimas imortais.


Cabe a mim compor outra cor

Para voltar a tudo colorir

Mistura-la com todo o ardor

Para nunca mais regredir.





quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Consegues sentir o crepúsculo a esvair-se?
A ausência de guerra não significa paz.
Longe está a vontade de querer.
Longe está tudo.
Longe dos olhares cobiçadores.
Tu também estás longe.
Eu? Eu estou sempre perto.
Perto de onde não quero estar.
Estou demasiado perto de mim.
Certas vezes tenho medo de mim.
Outras tenho medo de ter medo.
Instantes em que a harmonia faz a sua visita.
Tudo está reflectido na atmosfera circundante.
Tudo é espelho do que não sou.
Não sou a nuvem negra ameaçadora.
Não sou um raio de sol que aquece alguém.
Não sou a vida nem a morte.
Sou algo.
Sou uma coisa.
Sou o que ninguém quer que seja.
Sou a encarnação da nulidade,
Sou o sonhador inveterado de quem os sonhos fogem.
Sou poeta malfadado inundado por palavras que não me obedecem.
Sou o que alguém gostaria de ser.
Claro que não.
Eu carrego em mim demasiada escuridão.
Tenho em mim todas as soluções para os teus problemas.
Apenas eu sou uma equação matemática sem resolução.
Mas no meio de tanto sou e não sou encontra-se o verbo ser.
E eu consigo conjugar a primeira pessoa no presente.
E também pretendo conjugar no futuro...
No presente está seguido de reticências, já não de pontos de interrogação.
No futuro, o presente será acompanhado de uma palavra.
Qual? Eu.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Formam-se lagos gelados na queda de palavras glaciares.
Elas congelam toda a vegetação rebelde que cresce abritáriamente.
Acredito na criogenização.
Tudo o que estiver congelado não está morto, apenas adormecido.
Permanece inalterado e preservado até que os raios de sol incidam um dia.
Nesse dia tudo voltará a ser como era...
Demorem o quanto demorarem, os raios de sol, a beleza permanecerá intacta.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

"Freedom is only a hallucination
That waits at the edge of the places you go when you dream
Deep in the reason betrayal of feeling
The mistakes that I made tore my conscience apart at the seems "

ANATHEMA
Confesso os meus pecados no portão de Deus. Ele está ausente. Encontra-se enclausurado nas mentes primitivas. Quem é que vai absolver-me?

Sou um navio embalado pelas marés.
Vagueio livremente para onde me levarem.
Os oceanos vastos são o meu domínio.
Estou perdido sem nunca o estar.
As estrelas acenam à minha passagem.
Serenidade nas ondas que me beijam.

Sou navio de carga.
Transporto o que sinto.
Como todos os navios tinha um destino.
Um porto de descarga.
Mas este encontra-se fechado.
Não posso deixar tão preciosa carga.

Continuo perto desse porto.
Na vã esperança de ele me receber.
A mercadoria não tem validade.
Tempestades não me viraram
Ou destruíram a carga.
Apenas desejo descarregar.
E assim poder voltar…
Conduzido novamente pelas marés nómadas como eu.