quarta-feira, 6 de janeiro de 2010


Recordações que estavam encaixotadas e armazenadas, repletas de pó no sótão da infininidade do meu pensamento, ganham novo alento e saem caminhando da morgue onde estiveram confinados.
"Quando não há mais espaço no inferno os mortos caminharão na Terra."- Premonição presente em "Dawn of the dead" de George Romero.
Caminham as recordações ainda com as chagas das queimaduras do inferno bem vísiveis.
Desfiguradas por intervenções não-divinas, deambulam por entre paraísos artificiais construidos com muito esforço pelas minhas próprias mãos.
Tudo parece ter vida eterna e renasce vezes sem conta. O inferno não é suficientemente grande para conter em si o que nele eu quero ver condenado.
Mas em mim jaz o assassino do que insiste em não morrer. E perante o meu sorriso vou ver essas fétidas recordações voltarem a ser o pó ao qual foram reduzidas anteriormente.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Perguntas rétoricas.

Reconhecerás todos os teus medos que eu removi?

Reconhecerás cada uma das tuas lágrimas, todas diferentes como os flocos de neve, que eu bebi?

Reconhecerás o que foste e jamais o tornarás a ser?

Tudo que esvaneceu e renasceu invocando novos monstros desejados acenando de paisagens subconscientes.

Esvaiem-se os esgares de dor... Ela está dormente.

Tudo isto apenas porque eu toquei-te um dia...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sei que já aqui coloquei vários videos de Anathema, mas eu amo esta banda!!!!!!



"started a search to no avail
a light that shines behind the veil trying to find it
and all around us everywhere
is all that we could ever share if only we could see it
believe there's true thoughts beyond me
life ever changing weaving destiny

and it feels like i'm flying above you
dream that i'm dying to find the truth
seems that you'r trying to bring me down
back down to earth back down to earth

layers of dust and yesterdays
shadows fading in the haze of what i couldn't say
and though i said my hands were tied
times have changed and now i find i'm free for the first time
feel so close to everything now
strange how life makes sense in time now

and it feels like i'm flying above you
dream that i'm dying to find the truth
seems like your trying to bring me down
back down to earth back down to earth
back down to earth back down to earth..."
As palavras mais difíceis de pronunciar não são aquelas cujo numero de sílabas é colossal.
Não são as palavras sinónimas de qualquer complexidade que soam a fenómenos estranhos ou doenças.
Não são as que a a métrica é traiçoeira.
Não são as que trazem incógnitas agregadas ao seu significado.
Não são verbos impossíveis de conjugar.

NÃO....

As palavras mais difíeis de pronunciar são as mais simples.
São as primeiras que aprendemos quando somos crianças.
São aquelas que conhecemos em toda a plenitude o seu significado mas que parecemos não o compreender.

A palavra "Desculpa!" é tão fácil de dizer.
Mas ela não se forma nos lábios.
Se ela fosse expelida verdadeiramente, aí saber-se-ia o seu significado e a resposta ou simples rétorica é algo igualmente simples.
"Perdoo-te!"

domingo, 3 de janeiro de 2010

Para todos os artistas, todos os que ousam pensar.

Criatividade é o melhor sinónimo. e quiçá o único, para a palavra liberdade.
Dentro das prisões em que entregamo-nos voluntáriamente ou somos condenados pelos demais sem a mais ínfima hipotese de recurso, a nossa criatividade permite-nos ser livres.
Por mais paredes construidas apenas com o intuito de nos confinar a mente e o corpo elas ruem à passagem devastadora de pensamentos criativos.
Talvez a liberdade seja apenas uma alucinação que nos espera nos sítios onde vamos quando sonhamos. Se assim o for, estou sempre a sonhar acordado. Eu e todos os artistas que vagueiam algures por aí.
O termo anti-social e inadequado socialmente é algo que foi apagado do meu algo, felizmente, vasto léxico. Só uso termos que conheço o significado.
Asssisto à queda da integridade humana. Impávido e sereno observo tamanha ruina.
A falsidade e mesquinhez que veste hoje as pessoas não me causa repulsa. Apenas indiferença. A mesma com que olham para mim e para todos os que ousam ser livres.
Um bem haja para todas as almas que ousam pensar.
As ditaduras disfarçadas de democracias ainda não conseguiram criar uma polícia para os pensamentos. Provávelmente esteja já em laboratório ultimando os mais pequenos pormenores.
Não sou reconhecido por nada do que faço ou que fiz em todos os meus devaneios artísticos. Não busco reconhecimento porém. Busco apenas continuar com esta imensa capacidade de criar. Esta a unica arma, embora invísivel, que permite que eu seja livre confinado à minha mente.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Se a chuva deixar de cair
Esgota-se a matéria da primavera.
Para todo o futuro que há-de vir
Haverá sempre uma voz que vocifera.

As tempestades são necessárias
Para o corpo ficar doente
E a mente em todas as áreas
Lutará assim para não ser descrente.

As nuvens negras e o frio
Envoltas em laços como oferendas
Significam um não ao vazio
No qual afogar-te tu tentas.

Encaradas como punições
Traduzo-as como benésse
Para encontrar razões
Para a beleza que anoitece.

A palavra enfim
Não significa a sua ultima silaba
Não apenas para mim
Mas para toda a existência que desaba.
As manifestações de energia manufacturadas pelos corpos em movimento talvez seja capaz de produzir electricidade suficiente para iluminar uma cidade.
Talvez, mas a escuridão inerente às almas, essa é impenetrável.
Uma parca luz de vela é a única claridade visível nos confins dos corpos humanos que se amontoam por entre sussurros de falsa luz que os rostos parecem conter em si.
Nas cavernosas profudezas do ser o sentimento de solidão é devastador. Todos os que são belos, ricos, poderosos e auto-confiantes em demasia albergam em si a mais dura e salgada tristeza.
Máscaras... Apenas isso.
A insegurança pessoal é atroz. A mente contorce-se em enganos. O que interessa é como os outros nos veêm, não o que cada um acha de si.
Quantas serão as pessoas que param uns minutos nas suas vidas para pensar no que são e no que conseguiram?
As palavras dos outros são alimento para o ego. Mas apenas uma espécie de pequeno almoço impossivel de conter em si as calorias necessárias para aguentar os corpos cada vez mais famintos.
Os caminhos trilhados são sempre os que foram construidos e recomendados por outrém. Nunca os aventurados, mesmo que não tenham saída ou que conduzam apenas e exclusivamente para um abismo.
A integridade humana é algo muito discutível. A luz necessária para iluminar as almas está ao alcance de cada um. Seja com fósforos, isqueiros, complexas manobras hidrográficas ou apenas a maneira pré- histórica de roçar dois bocados de madeira.
Cada um escolhe a sua claridade. Mas poucos são os que a põe em prática.
É tão fácil viver na escuridão e esperar que outros nos tragam a luz.
Alguns conseguem isso. Bafejados pela sorte talvez, mas saberá bem essa claridade artificial? Ou será bem mais saborosa aquela que um índividuo constroí com muito custo e solitáriamente?
Não sei responder, para variar. Apenas conheço a segunda. Opino apenas com conhecimento de causa. E conhecimento, é o que não falta aí para ser descoberto. É preciso apenas e só..... VONTADE!!!!!!!!!!