terça-feira, 2 de fevereiro de 2010


Moro no cemitério das emoções de outrem.
Necrófaga a necessidade de amar o que perdeu a vida e descansa agora não em paz.
Sou vil criatura que vagueia nos meandros de sepulturas espirituais. Saceio a minha sede nas lágrimas que flutuam livremente dançando com o vento. Sonho com os olhos que as derramaram e interrogo-me se os meus perderam essa capacidade.
Sem piedade, estudo a anatomia desses cadáveres que despejaram na minha moradia. Cientista tresloucado tentando compreender o que é indecifrável.

Porque é que as mais belas emoções são tão efémeras?

Procuro a cura para todas essas catástrofes.
Para todo o sempre acompanharei os funerais das paixões. Os sonhos carregam os caixões, sempre foram os seus fíeis companheiros. Agora, choram no meu jardim cinzento.
Alguns reinventam-se e ganham nova identidade, mas outros perdem-se para sempre e são sepultados lado a lado com as paixões.

Tudo jaz inerte, incapaz de reacção ao meu golpear. Disseco tudo lentamente tentando visualizar estas existências irreais. a beleza permanece intacta, a uníca não-efemeridade. Mórbida satisfação de ver perante mim tão belos cadáveres.
Apaixono-me por eles e perante os seus sonhos, sonho eu em devolver-lhes a vida.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tributo a Milton e Dante.

Arcanjos supremos de novos reichs ainda por proclamar e futuramente aclamar, vigiam o local de próximas detonações atómicas.
A sua bélica presença imponente assenta em acusações de devassidão e a ausência de respeito pela condição humana que foi atribuida às formas desconexas e ambiguas que vagueiam as antigas terras denominadas por paraíso.
Pobres criaturas desconhecedoras do seu mui trágico destino...
crucificadas serão por quem criou o mito da autopunição.
O masoquismo e o desejo de represálias extremas são os pilares onde foi erguida a humanidade, mas esses pilares ruiram...
Agora as mílicias de arcanjos estão a caminho impondo o sacrificio e a penitência ou então a condenação eterna.
Arcanjos ou apenas anjos da Morte?
Criaturas divinais movidas por ódios tão paradoxais ao que os seus embaixadores na terra proclamam.
no Inferno e Paraíso que todos criamos haverá espaço para tão dantescas criaturas?
existirão hierarquias atribuidas pelo general supremo que habita em nós?

Os anjos são assexuados, jamais poderão então envergar carnes humanas. Inerente a ela está o monstruoso desejo carnal.

E os querubins, soldados recruta da mais santa das guerras, continuam a sua marcha...

domingo, 31 de janeiro de 2010

Eu sou o teu labirinto.
A infindável rotação de paredes onde te perdes e jamais consegues encontrar-me.
Onde eu estou?
Não no reflexo emitido sofregamente pelo espelho, esse não sou eu.
Estarei no topo do universo a observar-te?
Talvez...
Estou sempre onde tu estás. Estou entranhado em ti. Sabe-lo perfeitamente, não tens como negar. Ou a negação é apenas uma forma de absorção...
Quando conseguires encontrar-te, talvez me encontres também.
Estou mesmo a teu lado só que não me consegues ver. Estás privada da visão.
Eu sou o silêncio nocturno, o frio que te envolve, sou tudo... Apenas em espírito, a minhas vestimentas carnais estão na tua posse e um dia poder-me-ás vestir da maneira que quiseres. Basta encontrares-te!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Agora que o que eu escrevo irá ser editado sobre a forma de livro, resta esta pergunta:

QUEM ESCREVERÁ O MEU POSFÁCIO?

A obra estende-se abrangente por campos tão dispares e tão semelhantes.
Existêncialismo ou a falta dele, Locus Horrendus ou a exaltação à luz e à claridade.
Simples devaneios sem sentido ou com todo o sentido percéptivel apenas pelas trevas após terem derrotado o dia.
Cada texto mergulha numa anarquia impossível de controlar. Jaz, por entre as palavras, a minha harmonia e paz tão voláteis e ao mesmo tempo tão estáveis.
A certeza das dúvidas eternamente presentes.
Textos contraditórios e quiçá repetitivos sobre as batalhas de pensamentos e emoções na estabilidade do instável. A predominância do negativismo é contestada aqui e ali por sentimentos por vezes tão reais que parecem brutais alucinações.

Escrevo quase sempre de manhã, como se almas de poetas vagabundas me embalam para o sono e me recitam os textos que escrevo.

Talvez eu não deseje um posfácio, pois isso significaria o fim da obra e eu quero escrever até ao fim da minha humana existência...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Escavam a sua sepultura os anos de lágrimas que nunca levaram na enxurrada visões de raiva e ódios descomunais.
Uma nova era de dores orquestradas e conduzidas por maestros isentos de tormentos.
Arqui-inimigos fornecem as pás para a escavação arqueológica.
O que morreu não deixa de viver.
Esqueletos de novas espécies agarram-se à visão de luz.
Estão livres e cederão todos os confortos dos seus aposentos a toda a luta que começou sem sentido e que se revestiu de causas erradas.
Caem atadas as declarações de guerra apocalíptica a inimigos desertores bem de dentro. Sobreviveram a pelotões de fuzilamento. Invólucros de balas de acusações jazeram no solo até serem decompostas e aglutinadas por criações que ganham forma e espectro por requiuns de negações pomposos.
Nos corpos possuídos por orgasmos literários resta a solidão de um sorriso ao voltar as memórias de tais coistos filosóficos. Agora, ele acompanha as lágrimas quando são baixados para a sua morada póstuma.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sombras codificadas ocultam os astros que perderam o brilho no horizonte.
Estranhas e complexas melodias de sopros de vida narram o que é asqueroso e negado por poetas.
Nas sombras revelam-se todos os ancestrais medos disfarçados de solidão.
estrofes de escuridão suprema são recitadas por potestades controladoras de mentes que choram lágrimas de compaixão por quem por elas se cruza.
Personificações do inpersonável.
Odialatrizações do indomável.
Neste circo de todas as negatividades estão desejos em cativeiros carnais e os condenados brandem com mestria o seu chicote.

Sem lei, o esquadrão do inaceitável reprime e oprime angústias e desolações. A auto-estima é fustigada por decretos imemoriais e a acomodação e insatisfação nunca foram tão antónimas como agora.
O adorável rima com o abominável.
Poucos são os que me adoram e legiões os que me abominam.
Bíblicas batalhas de davides contra Golias e apenas nessa obra de ficção vence o mais fraco.
Compaixão... A segunda e terceira silabas não são verbos nem adjectivos, são miragens...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Nada é em vão
Todo o passado
Traz o futuro na tua mão
O mais belo é sempre o inacabado

Na violência dos décibeis
De todos os gritos por gritar
Há sentimentos para sempre fieis
Na efemeridade infinita do acreditar

Nas miragens que sonhas
Há sempre palavras nunca escritas
na nova colorização das folhas
Não existem cores malditas

Basta estender a mão
Eu estou lá para a agarrar
Sou fraco substituto para a solidão
Aquele que ninguém soube amar

Nas viagens siderais
Propulsadas pelo pensamento
E as maneiras de fuga demais
Está explícito todo o intento

Quem corre na harmonia
Algo fica sem ser visto
As palavras que eu dizer.te queria
Soariam como as de um novo cristo.