terça-feira, 2 de março de 2010

Pensar é uma arma mas não de destruição
Pensar não é nenhum pecado imoral
Pensar vence as batalhas da desolação
Pensar é um atributo imortal

Tens na tua mão essa arma.
Usa-a bem!!!!
Pensar faz de ti alguém
É a voz que fala sem se ouvir
Aponta-a na direcção do que há-de vir.

Pensamentos fluem a altas velocidades
Mais rápidos que todas as balas
Atingem as supostas verdades
As mentiras apenas abrem alas.

Disparar tal arma não fará de ti criminoso
Ou herói por todos aclamado
Dirigem-te tom jocoso
Ao teu lado mais irado

Tudo pede misericórdia
Perante tamanha artilharia
As sementes da discórdia
Do que sem pensamentos seria



Por do sol bélico
Noite repleta
De sentimento angélico
Sempre em alerta

Erguem-se os seres incompletos
Privados de salvadores
Fustigados, de dor repletos
Com ausência de clamores

Pensar... sinal de existir
Quando tudo o parece desmentir
Uma mão metafórica
Segura-nos de forma categórica
Não nos deixando cair
Em abismos prestes a florir...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sabe bem ouvir isto...

Deixa-me despir-te lentamente.
Suavemente remover esse vestido de receios que trazes a cobrir o teu corpo.
Quero ver a tua pele sussurrar o que nunca disseste.
Deixa cair lentamente cada peça de desilusões que outros te vestiram.

Torno-me garimpeiro que em terras áridas busca ouros desconhecidos.
O teu corpo cintila na escuridão noctívaga à medida que cada milímetro de pele é desnudado.
O seu brilho é mais contundente que todas as galáxias de todos os universos, reais e paralelos. Eis que ele se anuncia perante mim revestido com um sorriso imortal.

Entrega-me o domínio do teu corpo. Dá-me as chaves para entrar bem dentro de ti.
Cairão nos meus lábios os teus últimos vestígios de humanidade. No meu beijo tornas-te deusa de um Olimpo ainda por descobrir que eu reclamarei como meu.
Sucumbe a esse tsunami, que se forma bem dentro de ti à medida que os meus dedos te tocam.

Estou dentro de ti.
Vagarosamente desfaleces enquanto as vagas de prazeres ainda para ti desconhecidas ganham forma.
Novos mundos irreais desfilam perante os teus olhos. Mundos de desejos inconfessados e inesperados.
É expelido bem das tuas entranhas o sacrilégio de te entregares tão completamente.
Sou inundado por rios com caudais excessivos de sussurros guardados por tempos demais.
Há um doce aroma de morte no ar.
A morte de passados inarrados e inconfessados.
o teu corpo abriu as portas para uma nova dimensão quimérica em que a mente enriquece com novos diamantes delapidados por pensamentos.


Eu... Apenas mostrei que é possível...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Crónica de um noite de copos.

5 da manhã e dou comigo sentado no local mais sombrio do Armazém do chã. Numa mão uma cerveja e na outra um cigarro. Se me erguessem uma estátua, esses dois elementos teriam que estar incluidos obrigatóriamente. Não me lembro o como, o porquê e o para quê de eu estar aqui. Lembro-me vagamente de dizer que hoje não iria sair à noite...
Mas é tudo muito confuso como se eu estivesse envolto numa neblina muito densa que não consigo ver nem para a frente nem para trás.
O álcool acentua exacerbadamente toda a solidão que carrego dentro de mim. Reconheço algumas pessoas que cruzam o meu campo de visão e algumas cumprimentam-me efusivamente, mas eu sinto-me cada vez mais sózinho. Refugio-me mais uma vez em pelavras escritas. Sinto-me só, mas também não tenho vontade de falar com alguém.
A música, rock n roll dos anos 70, já me começa a irritar. Passei para outra sala onde só se ouve musica electrónica e, obviamente, tem mais gente. Encontro sempre um cantinho para me sentar e continuar a minha escrita e divagações mentais enquanto as batidas estridentes produzem na minha cabeça o mesmo efeito que um martelo pneumático faria.
O que ando aqui a fazer? Pergunto-me sempre isso mas no sentido mais vasto da questão. Agora queria mesmo saber como vim aqui parar a este local em concreto.
Gosto de observar as pessoas quando saio à noite. Um estranho voyeurismo este! Analiso os sorrisos das pessoas. Se eles são honestos ou se são apenas um acessório que combina com a roupa nova e demasiadamente cara que vestem.
Alguém crava-me um cigarro e lança duas ou três palavras para o ar mas eu deixo-as esvanecerem-se. Fiquei absorto em relidades alternativas enquanto alguém falava comigo.
Já não consigo estar mais aqui. Tenho que sair... Urgentemente!!!! A claustrofobia apodera-se de mim a uma velocidade galopante e assustadora.

Rua!!!! Ar puro ainda que extremamente frio! Fico aqui sentado um pouco enquanto assisto a dialogos de alcoolizados como eu apenas com a diferença de que conseguem falar. Tento ordenar as ideias nesta desorganização que é a minha mente. Já sei como vim aqui parar e com quem. Congratulo-me de não ter vindo a conduzir!!! A multa de 500 euros em 2008 serviu de lição!!! Tenho que ir para casa mas não sei das pessoas com quem vim. Perderam-se algures na sua ânsia de conhecer o maior numero de pessoas possiveis numa noite. Como se estivessem a concorrer para o Guiness!

Estação de S.Bento! Felizmente já há comboios a esta hora. Posso ir embora e logo vejo como vou buscar o carro.
As pessoas que me trouxeram lembram-se da minha existência! Querem ir embora. Ok vou ter com eles. A meio do caminho lembraram-se que querem beber um ultimo copo. 9 euros de entrada????!!!! Fuck off! Para desempregados andam a puxar bem de dinheiro estes tipos! Fico na rua à espera que eles se decidam.
Entretanto, um índividuo é espancado selváticamente à minha frente por um dos seguranças do bar sem razão aparente. Ficou em estado muito mau mesmo! A polícia chega 5 minutos depois. O indíviduo pergunta-me se posso contar à policia o que vi. Claro que o faço com todo o gosto. Odeio esta forma de repressão através da violência!
Depois da policia e ambulancia irem-se embora sou ladeado por 4 brutamontes que sairam do bar que me perguntam o que disse à policia. Se eu nem aos meus pais digo o que faço ou deixo de fazer quanto mais a estes gorilas cujos musculos cerebrais passaram para os peitorais e biceps!
Sou ameaçado que nunca mais poderei entrar no bar. Óptimo! Nunca o fiz nem o farei. Dá para poupar uns trocos. E chega a minha boleia... Para casa dormir! Sózinho, como sempre... Não, hoje vou dormir com a minha dor de alma.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Semper fidelis?

O que é a fidelidade?
Algo inócuo e desaparecido
Que caiu na fealdade.
É algo aparentemente temido
Sempre ausente de verdade
Um acto para sempre perdido.

É uma palavra sem sentido
Que pelas pessoas foi retirado
É o deixar o amor vaguear perdido
Sem esperanças de ser encontrado
É o deixar o corpo ser vencido
Na luta entre o certo e o errado.

A sua ausência
Abre feridas infinitas
Jamais curadas pela ciência
Entre emoções malditas
Perde-se toda a essência
De todas as odes já escritas

Doí mais do que qualquer golpear
Abre sulcos abismais
Não jorra sangue mas sim o amar
Que ameaça voltar jamais
Com a mesma vontade de dar
Perecem os sentimentos chamados imortais

O que é ser fiel?
É um acto demasiado altruísta
São palavras que não se escrevem num papel
Irrelevantes para o ser egoista
Determinado a viver em fel
Ausente de qualquer sentido moralista

Fidelidade rima com ingenuidade
Palavras siamesas
Rápidamente tornam-se adversidade
Estão agregadas como rezas
Repletas de verdade
E das mais duras tragédias.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Depois das fotos, um vídeo...

Estará alguém lá fora
No seio da tempestade
Para dizer que chegou a hora
Da rendição da verdade?

Estarão ao vento caóticas almas
Hasteando da paz as bandeiras
Perdidas nas águas calmas
Mas forjadas como verdadeiras?

Estarão nas sombras os vultos
Que brindam em meu nome
Por entre todos os insultos
Que não lhes mata a fome?

Serão eles trovadores
De feitos imemoriais
Ou apenas de desamores
Perdidos nos canaviais?

Está sempre alguém à espreita
Com forma ou disforme
Fazendo vigilância estreita
Sem saber o meu nome

Quem me espera nos elementos
Não é nunca quem desejo
Talvez sejam os preconceitos
Que nunca provarão um beijo

Tudo parece uma conspiração
Construida por sombrios rumores
De ausência ou excesso de paixão
Presente em todos os clamores.