domingo, 6 de junho de 2010

Linda Martini para combater uma tarde de domingo.



Hoje preciso de um pois, preciso de um sim.
O que é que queres de mim, hoje sinto-me assim.

Hoje preciso de um pois, preciso de um sim.
O que é que queres de mim, hoje sinto-me assim.

Ecos de risos, sinfonias de gritos. Como sangue na barriga de mosquitos.

Hoje preciso de mim.

Mostra o teu jogo. Eu pago para ver.
Falas-me através das sombras em dialectos estranhos, tu que és fogo em mim.
Questiono-me se te terás entregue a alguém. Não o corpo que usas mas o que és, essa aura metafísica. Será que alguém a viu desnuda?

Dizes que a Noite é acreditar e às vezes chorar.
Nessas palavras que debitas nas sombras, dizes o que ficou por dizer. O ar que respiras é a tua folha de papel, nele desenham-se as palavras que voam da tua mão agora aberta. Já não as conseguias manter reclusas na palma da tua mão.

Eu digo que não perdeste. Podes não ter ganho, mas neste combate existente apenas na tua mente retiras sempre algo, parecido com um sopro estranho que só fará sentido quando tudo o resto deixará de faze-lo.

Será que em alguma noite de sombras, eu conheci o sabor da tua pele? Naquelas em que confessaste o teu mais ardente desejo: a Morte?
Nunca tenho respostas, somente perguntas.

Quem idolatrizas? espero que seja o reflexo que te cumprimenta todos os dias no espelho. Esse reflexo que não é teu mas sim do mundo, representação de crença real e verdadeira.

E tu tentas dar-me as respostas nas sombras, mas elas abraçam-te...
"Choose a life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television. Choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers... Choose DSY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit crushing game shows, stucking junk food into your mouth. Choose rotting away in the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself, choose your future. Choose life... But why would I want to do a thing like that?"

É por estas e por outras que Trainspotting é o melhor livro e a melhor adaptação cinematográfica de uma obra alguma vez feita.
Grande Irvine Welsh! Trouxe para a literatura toda a cultura punk. Ou como ela deveria ser, não aquela pseudo punk que se passeia nas nossas ruas.

sábado, 5 de junho de 2010

A inconstância é uma constante minha. As viagens de um extremo a outro fazem-se a velocidades superiores à da luz e do som. Portanto, e após milhares de bebedeiras e respectivas suas associadas ressacas, anuncio um imenso prejuízo a bares restaurantes e cafés. A partir deste dia o álcool irá deixar de me possuir. Abre-se o caminho para outras formas de possessão que espero sejam mais saudáveis.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A misantropia é fascinante,
Transforma a Noite em amante.

A misantropia é sedutora,
Sob a sua não forma, é tentadora.

A misantropia é uma filosofia
Assente numa mente nunca vazia

A misantropia é salutar
É estranha forma de ninguém amar

A misantropia não é patologia
É apenas uma forma de terapia.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Mulheres de armas parte 2


Rachel Van Mastrigt-Heyzer.
No longínquo ano de 2001, Sinister tocou no Seixal no que era considerado, até esse dia pelo menos, o maior festival de metal de sempre em Portugal. Ia curioso com o ultimo álbum dessa banda, "Creative Killings", porque era cantado por Rachel. Não esperava tamanha surpresa ao vivo! Rachel era uma rapariga muito pequenina com aspecto frágil e com uma voz muito doce ao dizer boa tarde ao pessoal expectante pelo que viria aí. Sinister é uma banda de culto dentro do death metal e a curiosidade era imensa.
Aos primeiros acordes, Rachel metamorfoseou-se num autentico demónio. A sua voz doce transformou-se num dos mais brutais grunhos que alguma vez ouvi.

P.S- É linda de morrer.

Aqui fica uma amostra do poder vocal de Rachel, para quem não acredita em mim, na sua mais recente banda.
Eu vendi a minha alma num qualquer leilão de antiguidades. A base de licitação era extremamente baixa. Foi arrebatada por um demónio aleatório proveniente de um qualquer velório.

Eu vendi a minha alma sempre envolta numa aura de calma. não recebi compensação monetária ou material. Recebi apenas uma capacidade de verter desejos real.

Essa foi a noite mais escura e tenebrosa de todas. A noite em que cedi a minha alma a uma divindade sob a forma de potestade. Ficou apenas a irrealidade e um buraco não visível de jamais tornar tudo divísivel.

Nessa noite fui enterrado vivo, soterrado por terra palpitante de vida. Fui cruxificado e por falsos crentes em mim como messias asfixiado.

Nessa noite escabrosa e pavorosa fui eu que renasci e que nunca mais me vi.