domingo, 27 de junho de 2010

Mais outros textos que não me importava que fossem meus. Não me importava mesmo nada.

A felicidade é uma ilusão, é o produto das nossas ânsias.
Um ponto no tempo,vai assim como veio.
Mas há momentos em que consigo parar o tempo,
Então vivo nesses fragmentos e retenho-os dentro de mim...
São momentos únicos que ficaram perdidos mas dentro de mim estarão sempre acesos.
Saboreio estes momentos muitas vezes,
Alimento-me deles e sinto uma emoção única...
Paro o meu tempo, esqueço a rotina.
Deixo-me levar pelos meus sonhos,
Voo fundo sem receios...
Deixo esta energia fluir no meu ser,
Sinto uma sensação jamais sentida.
Realizo-me, nem que seja por um momento apenas.
A felicidade é uma invenção do Homem para explicar o porquê da vida.
Mas eu não sigo estes caminhos tão explorados.
Abuso da minha liberdade e construo o meu próprio caminho.
Foi assim que te encontrei, ou será que foste tu quem me encontrou?


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À noite vou por aí ociosamente.
Percorro um ritual lilás feito de violetas de pedra e traço cada pausa no retorno da lua inicial.
Aqui a memória é lenta como as angústias.
Muitas vezes vejo árvores com frutos azuis ou animais em nudez perfeita, respirando o vento.
A escuridão é o subterfúgio inesperado do coração quando o olhar aquece e o orvalho é de cetim.
Há máscaras de buzios e limos na cara de quem passa.
Nas suas vozes oiço o itinerário das manhas siderais e nasce dos meus passos, o rumo
da via láctea.
Ninguém me conhece.
Venho do arco-íris e trago nos dedos o ângulo transparente da noite.



Cabelos ao vento

Crónica alcoólica versão despedida de solteiro.

Sábado de tarde, o termómetro marca valores estúpidos de calor. Não consigo estar em casa, é demasiado infernal o calor que se abate. Está na hora de partir rumo a esplanadas para contemplar a existência sem o mínimo de esforço. Pestanejar parece uma tarefa megalómana hoje. Uma missão impossível e desumana para se realizar.
Peçam-me o mundo, mas não me peçam para me mexer.

Tinha apregoado aos quatro ventos que iria deixar de beber, mas acabei por abortar esse plano nuclear. Eu sem cerveja, não funciono. Não consigo deixar essa mulher que tantas alegrias me dá! É uma relação muito especial de amor-ódio que cohabitam na perfeição.
Portanto aí estou eu a beber canecas de cerveja geladinha enquanto observo com desprezo tudo o que me rodeia. Um olhar de superioridade que se esbate á medida que o álcool começa a fazer o seu efeito tão aprazível de entorpecer tudo e tornar esse tudo uno.

Estou já bem lançado quando se reúne a seita de bebedores de intervenção para a despedida de solteiro de um amigo meu. Longas horas de consumo extremo de álcool anunciam-se com toda a pompa.

O jantar já terminou e somos sempre bombardeados com o desafio de esvaziar um barril de 50 litros de cerveja. Desafio que aceito de muito bom grado. São poucas as pessoas que estão a beber, mas pertencem á tropa de elite de extermínio alcoólico...

Já não sei que horas são. Já me sinto estupidamente dormente. Uma mensagem chega ao meu telemovel a perguntar se ja tive uma lap dance. A única que tive e terei nesta noite foi terem-me entornado no colo uma cerveja. Essa minha amada é tão intima que até já banha os meus genitais!

Já é de manha e estive sempre com um copo na mão desde que cá cheguei. não tenho noção do quanto bebi, mas estou estranhamente bem. Talvez o que corra dentro das minhas veias não seja sangue mas sim cerveja, pois não faço ideia para onde ela vai parar.
De repente estou em frente a uma igreja a segurar o noivo para que o dispam. O homem fica ali nu em frente á igreja que no próximo fim de semana vai receber o seu casamento.Estranhas estas tradições!!!!!

É tempo de voltar. Antes disso há tempo para fumar um cigarro e ter uma discussão estúpida sobre a beleza de cidades que não são mais do que aglomerados de betão disformes.

Mais um dia que pareceu ter a duração de 2 segundos.
Maior e mais penoso está a ser este com a ressaca a agonizar-me brutalmente.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

"Não fazemos aquilo que queremos e, no entanto, somos responsáveis por aquilo que somos."

Jean Paul Sartre

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Textos não da minha autoria,mas de alguém com muito jeito só que muito envergonhada..

Com olhos fechados e braços abertos,
Sorrisos eloquentes sobre lábios calados,
E em duplo oferecimento os seios descobertos,
E os olhos abertos e os braços fechados.
Vem a mim com a audácia que não duvida nem nega,
Vestidos de ilusões e despidos de temor,
Exibimos gestos de definitiva entrega.
Quantas vezes os nossos corpos perceberam
A magia e o calor do nosso contacto,
E quanto na alma receberam a entrega,
Sem nunca se fazer um pacto.
O impulso, generoso e decidido,
Foi um estado de paixão e não só um acto,
Que deverá prolongar-se em permanência em cada beijo e em cada confidência.


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Tenho de escalar ao topo de uma montanha para chegar até ti.
É uma subida tão brutal até chegar até aquele cume,
Que tão poucos já vislumbraram.
Não sabia o que existe lá em cima,
Mas a única coisa que esperava era encontrar a ti.
Fico ali, à espera do êxtase que pensava que iria sentir,
Mas ele nunca chega.
Estou demasiado longe para escutar os aplausos e agradecer.
E já não tenho mais por onde subir.
Estou sozinha,
E a sensação de solidão é esmagadora.
O ar é tão rarefeito que mal consigo respirar.
Consegui chegar ao cume
E o mundo inteiro diz que sou uma heroína,
Mas parecia mais interessante de la de baixo quando olhava
Com nada mais do que a esperança e os sonhos de sucesso.
A única coisa que via era o cume de uma montanha.
Não havia ninguém que me falasse de ti,
Mas as coisas são diferentes quando se chega ao cume,
Fico estafada, surda, cega e demasiado cansada para desfrutar da vitória.


Cabelos ao vento

terça-feira, 22 de junho de 2010

Um reich sem vuvuzelas.

Eu consigo sentir-te a fechar os olhos.
Ao tempo que eles se fecham, um sorriso desenha-se nos teus lábios.
Gostavas de te metamorfosear nos sonhos que são os responsáveis por tão etéreo acontecimento.
Perder a forma e ser apenas as imagens em que te perdes e talvez te encontres.
As palavras chamam o teu nome na chuva de recordações.
Será que consegues ouvir o seu chamamento?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

No eclodir dos primeiros raios de sol, corpos embriagados por licores de descobertas intangíveis e de novos limites á carne que os vestem, entregam-se a estranhas danças ausentes de desconfianças.
O calor do momento, busca prolongamento eterno. Estender-se pelas planícies e relevos acidentados dos corpos amontoados.
Cada um, desnudo de regras basilares desenhadas por decretos não-escolares, lança-se em espirais de novos conhecimentos proibidos por falsos puros-intentos.
Não há espaço aqui para batalhas entre pudores e amores. Esses estão ausentes hoje. Relegados e renegados por espíritos abnegados em conseguir esticar o limite das percepções.
A realidade, essa peça encomendada, tantas vezes desconhecedora da verdade aguarda em pânico correndo em cada vaso linfático...
Talvez seja apenas para isso que estas carnes servem... Para serem usadas até à exaustão na busca de nenhuma razão. Apenas e só serem usadas para quimeras espirituais sem resultados para serem apresentados e aclamados. Apenas servirem de meio de transporte não-fisico para mundos paralelos onde desejariam para sempre habitar.
Mera fuga das restrições a que estão sujeitos. Mero libertar de um falso acreditar.