segunda-feira, 12 de julho de 2010

Partes rumo ao desconhecido
A bordo de pensamentos transcendentais
Para trás fica o que nunca foi tido
Juntamente com os erros demais.

Não existem fronteiras
São meras invenções
Psicológicas rasteiras
Metáforas de ilusões.

Canta cantigas de embalar
Aos sonhos cobertos de pó
Novos está na hora de projectar
Entre a vontade de estar só

Não existem estradas ou mares
Subjugadores e manipuladores
Todas as terras e ares
Foram removidas de clamores

Um pequeno sabor a liberdade
Em tal viagem te aguarda
Só o Homem é capaz da crueldade
E de dar sentido ao nada.

Apenas fugir...
Apenas correr...
Apenas sorrir...
Antes de morrer...

domingo, 11 de julho de 2010

Crónica alcoólica versão Festas sebastianas- Freamunde.

Sábado á noite e há concerto de Jorge Palma de borla. Este senhor da musica portuguesa merece todo o respeito e com todo o gosto desloco-me para a terra dos capões, Freamunde.

Que imensidão de gente! Sempre me disseram que estas festas populares eram das melhores do país. Nunca gostei de festas e esses tipos de romarias. Sim, eu sou misantropo, eu sei...

Ainda falta um pouco para o concerto, é hora de abastecer combustível para a minha máquina do amor. Há uma imensidão de barraquinhas de cerveja, mas todas vendem só Sagres. Beeeerrrrrghhhhh! Odeio Sagres!
Há um café que tem Super Bock fresquinha. Nada mais nada menos do que a casa do F.C Porto! Estranham eu querer entrar lá visto a minha cor ser assim mais para o encarnado fervoroso, mas eu por cerveja decente faço tudo. Só espero que nenhum dos meus amigos se descaia e diga a um dos matulões que eu sou do arqui-rival. Confusões a esta hora, não obrigado.

Jorge Palma começa entretanto, e que grande concerto que este homem deu! Sempre alcoólicamente bem disposto como é de seu timbre, mostra o quão fantástica é a língua portuguesa e ao mesmo tempo faz-me amaldiçoar o país por nao reconhecer o enorme talento que este homem tem. Já destrocava grandes letras antes do 25 de abril, mas parece que é um musico recente porque só se conhece a "Encosta-te a mim."
"Ai Portugal, Portugal! De que é que estás á espera????" para coroar este poeta como um embaixador da língua portuguesa?
As filas da frente do concerto pareciam as de um típico festival de verão, com muita cerveja e substancias dopantes por todo o lado. Ja sai toda a gente bem animada no final do concerto. Está na hora de voltar á casa dos andrades para beber mais umas quantas cervejas e ficar com a mente dormente....




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De repente ja são 8 da manha e dou por mim no meio de uma improvisada pista de dança no meio da rua a curtir pah caralho a musica "I will survive" (?????!!!!!!)
Tudo bem até ao momento em que um cigarro aceso me acerta em cheio no olho. Foda-se que dores horríveis!!!!!! Lá me conseguiram tirar a cinza incandescente que ficou a colorir o branco do meu olho após várias tentativas. Estou completamente possesso, mas mais uma cerveja e isso passa.


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7 da tarde

Acordo na minha cama. Hum optimo!!!! Há aqui um espaço de horas em que nao me lembro de nada. Que terei feito eu? Declamado poesia a alguma mulher? Discutido filosofia com bancos de jardim? Questionado pássaros sobre a liberdade de voar??

Gostava de der espectador para me observar. Devo ser bastante engraçado de se ver. A cambalear e a dizer coisas sem sentido a audiências incrédulas. Bem, vou mas é dormir outra vez....


Em dias de overdoses de modorra, resta sempre a certeza que ao piscar os olhos, nessa fracção de segundo, tudo parece ter sentido e a harmonia aparenta existir.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Estranho este silêncio que brota da minha mente.
Mas também confortador.
A ausência da escrita, não me faz entrar em pânico.
Não me faz sentir absolutamente nada.
não se extinguiu este rio que tantas palavras levou a uma foz fictícia e meramente figurativa.
Ele corre no seu leito normalmente, impávido e sereno, alheio a todos os súplicios que sangram á sua volta. Canalizou-se para outro mar, não aquele a que o condenaram a desaguar. Canalizou-se apenas para o pensamento e por lá fica, inerte e longe dos olhares.
Ele está lá sempre, com correntes fortes. as palavras não nadam contra as correntes.
Deixam-se fluir. Apenas uma ligeira modorra de as transpor para o papel. Como se só assim ganhassem vida! Elas merecem ter uma liberdade que jamais terei.
Correm livremente entre prados verdes flamejantes onde florescem utopias em cada borda onde o sol não ousa ostracizar com a sua presença.
Não temo por elas. Não temo por mim. Não temo por nada.
Eu sou as minhas palavras e ando por aí... sei que o vento tem estado ausente, quiçá com desilusão amorosa, mas eu oiço-me em eco muito vagamente ao longe. E sei que ando por aí algures a beber copos com as minhas palavras. Estranhas bebedeiras estas, de sentido nulo, como aparentam ser todas as bebedeiras. Mas produtivas ao ponto de vómitos corrosivos de verdades supremas encobertas de poesias.
Sem as minhas palavras, nada restaria de mim.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O raiar de um novo dia não marca o fim desta noite.
O que tem esta noite de tão diferente das demais, todas diferentes mas todas iguais?
Esta noite veste-se com o veludo da eternidade e acaricia as suas curvas voluptuosas ao som dos breves suspiros que lanças bem de dentro do teu corpo.
Sons desconexos, aparentemente sem significado aos ouvidos dos comuns mortais.
Esses sons, desconhecidos para ti, marcam o inicio da viagem sem regresso do teu corpo por entre os emaranhados de recordações que te cumprimentam á medida que passas por elas a velocidades orgásmicas.
Andarás perdida por entre meteoritos que voam em circumnavegação á tua volta?
Estás em sítios dos quais nao desejas regressar. Eles desenham-se no teu sorriso à medida que adormeces e nos sonhos anseias por novas viagens siderais.
Astrólogos juntam-se em discussão, nunca em comunhão pela descrença na presença deste novo astro que ilumina a Noite. Não a de todos, mas apenas a minha.

domingo, 4 de julho de 2010

Observemos com muita atenção a forma que nos cumprimenta no espelho. Certas vezes parece um demónio, dependendo da incidência da luz que brota das pequenas frinchas das persianas das recordações. Certas vezes parece um tirano que exerce domínio total sobre territórios apenas espirituais.
Todas as formas são subjectivas e não tem ligações aparentes com a realidade.
Mas o que é a realidade? Uma construção com alicerces ás vezes de mentiras, isentas de qualquer sobriedade.
A forma torna-se muitas vezes disforme. Dependendo totalmente dos olhares que a vislumbram. Olhares diferentes, muitas vezes tementes.
Por vezes renegadores, outras reconciliadores.
Existe beleza em certas alturas nessa forma reflectida no espelho, reconhece-la é que é o grande desafio. Apenas os fortes de espírito estarão á sua altura. A beleza e a fealdade estão apenas á distancia de um pensamento.