Um poema não é uma coisa que se coloca sobre o teu dia como um condimento sobre o teu almoço. A vida de uma pessoa não tem material semelhante a nada que conheças. Existir é feito de peças impossíveis de copiar. E a poesia não entra nesse material único - a vida de uma pessoa - como o avião no ar ou o acidente do avião na terra dura. Um poema não é manso nem meigo, não é mau nem ilegal.
Os homens não se medem pelos poemas que leram, mas talvez fosse melhor. O que é a fita métrica comparada com algo intenso? Há poemas que explicam trinta graus de uma vida e poemas que são um ofício de demolição completa: o edifício é trocado por outro, como se um edifício fosse uma camisa. Muda de vida ou, claro, muda de poema.
Gonçalo M. Tavares, in 'A Perna Esquerda de Paris'
sexta-feira, 15 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Os dias estão luminosos, mas à minha volta circulam nuvens enormes que pincelam de cinzento o meu rosto que parece esculpido em pose de um eterno porquê.
A razão? A razão jaz no seu caixão debaixo de muitos metros de terra. Foi assassinada pela compreensão. Mas eu, qual vigilante anónimo, vinguei a razão.
Ando foragido à justiça poética pela morte da compreensão.
Mas agora sinto-me órfão. Só consigo questionar e nunca compreender.
Sirvo pena perpétua de ignorância.
Tudo acontece a meu lado a velocidades escaldantes e eu não compreendo o mecanismo, as engrenagens que fazem as coisas acontecer. Parece ser tudo muito simples, mas torna-se demasiado complicado.
Contra-censo como o partir para ficar. Mas talvez seja mesmo necessário eu partir para o outro eu , aquele que compreende, aquele que aparentemente desertou fique. Pode ser que através de telepatia me consiga fazer um desenho daqueles muito simples de tudo o que não compreendo. Espero que consiga.
A razão? A razão jaz no seu caixão debaixo de muitos metros de terra. Foi assassinada pela compreensão. Mas eu, qual vigilante anónimo, vinguei a razão.
Ando foragido à justiça poética pela morte da compreensão.
Mas agora sinto-me órfão. Só consigo questionar e nunca compreender.
Sirvo pena perpétua de ignorância.
Tudo acontece a meu lado a velocidades escaldantes e eu não compreendo o mecanismo, as engrenagens que fazem as coisas acontecer. Parece ser tudo muito simples, mas torna-se demasiado complicado.
Contra-censo como o partir para ficar. Mas talvez seja mesmo necessário eu partir para o outro eu , aquele que compreende, aquele que aparentemente desertou fique. Pode ser que através de telepatia me consiga fazer um desenho daqueles muito simples de tudo o que não compreendo. Espero que consiga.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Coisa linda numa entrevista de Adolfo Morais Macedo. Ou melhor: Adolfo Luxúria (da parte da mãe) Canibal ( da parte do pai).
Jornalista-"Portugal ainda é o país daquela Mirandela, em que um polícia parou de o pontapear quando soube que afinal também é doutor?"
A.L.C- "É efectivamente o país em que toda a gente gosta de ter títulos para mandar para a frente."
A.L.C- "É efectivamente o país em que toda a gente gosta de ter títulos para mandar para a frente."
Novo hobbie...
Vou dedicar-me a elaborar teorias da conspiração. Quem sabe se daqui a uns anos uma delas será tão famosa como aquela que defende que o Salazar era o grande ponta de lança do Benfica.
Ah ah conspiração!
Ah ah conspiração!
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Crónica sobre coisas.
Eu apego-me demasiado ás coisas.
Seja a coisa mais estapafúrdia, mais sem sentido/ utilidade, eu apego-me facilmente.
Por exemplo: Quando acaba o tubo da pasta dos dentes, ele fica ao lado do novo ainda algum tempo. Os frascos de shampoo e gel de banho vazios, jazem moribundos uns dias ao lado dos seus substitutos antes de irem para o lixo. Faço colecção de maços de tabaco vazios( Ainda não foi desta que consegui deixar de fumar. CARALHO!!!!).
Pode parecer, e é, estúpido, mas eu tenho mesmo problemas em deixar as coisas seguirem o seu rumo normal. Não gosto de substituir coisas, mesmo que seja por outras exactamente iguais. Só o são aparentemente. Consigo notar sempre alguma diferença. Para mim, só tem igual o código de barras.
No mesmo pacote de rolos de papel higiénico há uns mais macios do que outros. É melhor parar por aqui senão a conversa vai parar onde sempre para.
Se eu tenho este problema com coisas sem valor aparente, imaginem o problema que eu tenho em separar-me das coisas chamadas "pessoas".
Quando uma pessoa "acaba" não a consigo deitar ao lixo nunca. Tenho uma arrecadação bem dentro da minha cabeça onde guardo as pessoas que me "acabaram".
Essas coisas pessoas, não têm prazo de validade ou código de barras. Existirá um supermercado onde posso ir lá buscar uma pessoa exactamente igual à que me acabou?
Não certamente. Todas as pessoas que me "acabaram" levaram consigo um pouco do que considero ser eu próprio.
Talvez eu é que tenha um prazo de validade. Não vem escrito em alguma parte do meu corpo e parece ser mesmo muito curto. Em pouco tempo estou no lixo.
Será que me põe para reciclar pelo menos? Poderia assim surgir sob outra forma e, quiçá, com uma maior utilidade.
Seja a coisa mais estapafúrdia, mais sem sentido/ utilidade, eu apego-me facilmente.
Por exemplo: Quando acaba o tubo da pasta dos dentes, ele fica ao lado do novo ainda algum tempo. Os frascos de shampoo e gel de banho vazios, jazem moribundos uns dias ao lado dos seus substitutos antes de irem para o lixo. Faço colecção de maços de tabaco vazios( Ainda não foi desta que consegui deixar de fumar. CARALHO!!!!).
Pode parecer, e é, estúpido, mas eu tenho mesmo problemas em deixar as coisas seguirem o seu rumo normal. Não gosto de substituir coisas, mesmo que seja por outras exactamente iguais. Só o são aparentemente. Consigo notar sempre alguma diferença. Para mim, só tem igual o código de barras.
No mesmo pacote de rolos de papel higiénico há uns mais macios do que outros. É melhor parar por aqui senão a conversa vai parar onde sempre para.
Se eu tenho este problema com coisas sem valor aparente, imaginem o problema que eu tenho em separar-me das coisas chamadas "pessoas".
Quando uma pessoa "acaba" não a consigo deitar ao lixo nunca. Tenho uma arrecadação bem dentro da minha cabeça onde guardo as pessoas que me "acabaram".
Essas coisas pessoas, não têm prazo de validade ou código de barras. Existirá um supermercado onde posso ir lá buscar uma pessoa exactamente igual à que me acabou?
Não certamente. Todas as pessoas que me "acabaram" levaram consigo um pouco do que considero ser eu próprio.
Talvez eu é que tenha um prazo de validade. Não vem escrito em alguma parte do meu corpo e parece ser mesmo muito curto. Em pouco tempo estou no lixo.
Será que me põe para reciclar pelo menos? Poderia assim surgir sob outra forma e, quiçá, com uma maior utilidade.
sábado, 9 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
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