quarta-feira, 20 de abril de 2011

Esta é a minha biografia versão música.



Caminho em silêncio
Distraído por um pensar
Que me turba o andar
Penso que penso
E fico a ouvir-me a pensar
Que penso que penso
Este pensamento
Torna-se um tormento
Penso que penso
Que penso que penso
Sempre o mesmo a dobrar
Como vozes a segredar
Penso que penso
Que penso que penso
Que ainda vou flipar
Flipar

ESTOU FARTO DE MIM ESTOU FARTO DE MIM
ESTOU FARTO DE MIM ESTOU FARTO DE MIM

Já não posso mais andar
Com tanta voz a murmurar
Levado pelo vento
Penso que penso
Que penso que penso
Que penso que penso
E se penso em parar
É mais um pensamento
Que me fica a ecoar
Outra voz a segredar
Outra voz a murmurar
Murmurar...

Murmurar murmurar murmurar murmurar murmurar murmurar
murmurar
Murmurar murmurar murmurar murmurar murmurar murmurar
murmurar

ESTOU FARTO DE MIM ESTOU FARTO DE MIM
ESTOU FARTO DE MIM ESTOU FARTO DE MIM

terça-feira, 19 de abril de 2011

A certeza da mentira onduleia por entre as folhas que travam lutas inglórias contra o vento.
Eu... Eu lavo o rosto na dor. Ele lateja de descrença.
Descrença em pseudo-crenças.
Ele deixa entrar um raio muito tímido de luminosidade, que pode ser facilmente confundido com um mero desejo mecânico.

O que é certo está sempre em local incerto. Mas o que está errado encontra-se em todo o lado, como um qualquer deus.

Vamos rezar à mentira. Novo deus empossado.
Ela está em todo o lado, movida pelo vento e sempre a seu lado está a desilusão. Outrora tirana, agora profana.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Engraxanço e o Culambismo Português

Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele.
Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.
Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc... Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso.
Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada. O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas.Ninguém gostava de um engraxador.

Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu. O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu. Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu. Para fazer face à crescente popularidade do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of Ass-licking and Brown-nosing.Os praticantes portugueses puderam assim esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no desenvolvimento profissional do Culambismo.

(...) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional. O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
Tenho saudades...
Tenho saudades das conversas envoltas em silêncio, daquele silêncio que fala muito e correctamente. Daquele silêncio que não se cala e que diz sempre tudo.

Tenho saudades do teu olhar que me fazia esquecer a dor, esta imensa dor de viver.
Dor de viver e de querer para sempre viver.

Tenho saudades do teu corpo despido ao lado do meu enquanto dormias e que procurava, por vezes o meu ombro para nele desfalecer.

Tenho saudades de te ver dormir, embora soubesse que não gostavas. De arrebatar com um beijo o primeiro esboço de claridade que tomava controlo dos teus olhos.

Tenho saudades do que não cheguei a ter de ti e de tudo o que não cheguei a dar-te.

As saudade são um sentimento tão egoísta.
Porquê? Porque ao ter saudades tuas, elas são um mero reflexo das saudades que tenho de mim quando não tinha saudades.

Não gosto de ter saudades...

Este texto não faz qualquer sentido aparente, porque, afinal, o que eu tenho é mesmo saudades minhas...

Desculpa o egocentrismo...

domingo, 17 de abril de 2011

Camara Clara para sempre.

É a pior seca que pode haver, mas apresenta coisas pungentes e demolidoras como Rentes de Carvalho. A seguir ao "Ensaio sobre a lucidez" de Saramago em que toda a gente vota em branco numas eleições, a "coisa" mais punk que Portugal tem. Pseudo-punks sabem o que é ler?

http://tempocontado.blogspot.com/

"A mim fascina-me a estupidez humana..."

Eu sempre disso isto, mas eu sou um pedaço de merda. Foi Umberto Eco que disso isto para todos os efeitos.