terça-feira, 24 de maio de 2011

Há aqueles dias em que passo as horas no trabalho a cantar músicas das quais não me lembro os autores. A de hoje foi uma surpresa...

A minha memória prega-me com cada rasteira. Não me lembro do que fiz ontem e, de repente, começo a cantar correctamente uma música que ouvi duas ou três vezes há anos e ainda por cima de uma banda que enfim... Ultimamente tenho-me sentido como o título da música, mas Depeche Mode????? Preciso mesmo de ajuda!!!!!!!!

Dá-me abrigo só esta noite.
Cá fora a tempestade ri-se sarcasticamente para mim.
Ela está apenas na minha mente, não a conseguirás ver.
Dá-me o teu refúgio espectral para eu conseguir pernoitar.
Dá-me o brilho do teu olhar para me iluminar na escuridão que me envolve apesar do sol estar radiante na sua altivez.
Dá-me o licor dos teus lábios para me embriagar e assim perecer mais depressa e mergulhar nos vales tormentosos dos sonhos que hoje abrirão uma brecha para eu conseguir ver para lá do horizonte uma pequena centelha do que é a paz.
Quando a tempestade amainar, acorda-me e olha bem para dentro de mim e diz-me se me consegues ver.
Se conseguires, corta as minhas amarras e deixa-me voltar à minha deriva eterna por entre os mares de tormentos que saltam sempre para me derrubar.
Antes de partir, pedir-te-ei que uses sempre o teu sorriso. Será farol metafórico que me trará de volta para ti assim que uma nova tempestade ameaçar destronar a paz temporária que resulta de um breve vislumbre do teu rosto.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Quem diz que o punk não dá bons conselhos?



I say don't drink and drive
You might spill your drink

O culto aos suicidas.

Ultimamente tenho assistido a um aumento substancial de fans de Nirvana e de Joy Division. A única coisa que pensava terem em comum estas bandas é o facto de os vocalistas se terem suicidado. São de épocas e estilos completamente diferentes...
Afinal Kurt Cobain e Ian Curtis pertencem ao grupo de "pessoas demasiado puras para viverem neste mundo" conforme me foi dito numa conversa bastante recente que tive.
Ambas as bandas lançaram pouquíssimos álbuns. Sobre Joy Division não posso opinar grande coisa. Primeiro; não gosto particularmente do som deles. Segundo; quando Ian Curtis morreu eu ainda nem sequer tinha sido concebido. Em relação a Nirvana, foi uma banda que explodiu quando tinha 10 anos e acabou por ser uma das minhas bandas favoritas no início da adolescência. Quando Kurt Cobain morreu passou-me completamente ao lado. Tive pena por ser uma das bandas que marcou uma parte da minha vida mas nada mais do que isso.
Agora considerar Kurt Cobain e Ian Curtis pessoas puras acho que toca o extremo.
O suícidio é uma das principais causas de morte em todo o mundo e é consequência directa de uma doença. É uma doença terrível e, acreditem em mim quando afirmo, que as pessoas que tentam/executam o suicídio não tem a mínima noção do que estão a fazer. Estão num mundo completamente à parte.
Para uma sociedade que ainda olha com muito desdém para as doenças mentais, acho estranho glorificarem-se suicidas. Todos os dias muitas pessoas suicidam-se, mas são imediatamente considerados malucos. Mas se se é musico de uma banda famosa, ou escritor, pintor,artista de qualquer espécie, acaba por se fazer uma martirização enorme. Têm mais valor do que os restantes suicidas? Serão divindades postas na terra? Cada pessoa tem algum valor, por mínimo que seja. Esta descriminação irrita-me.

Outra descriminação que me irrita: Há tantos outros músicos que faleceram e que eram gigantes. Falo de Layne Staley dos Alice in Chains por exemplo. Ele não está na lista dos mártires humanos simplesmente porque a versão oficial da sua morte foi uma "mera overdose". Sim claro, um homem que sempre falou de suicídio nas suas letras, que nas ultimas entrevistas que deu considerava-se um falhado por não conseguir vencer o seu vício de heroína, cuja companheira morreu de overdose duas semanas antes da sua própria morte, e que foi encontrado com uma dosagem de droga suficiente para matar um elefante, obviamente que a sua morte não foi algo que ele tenha tentado. Simplesmente aconteceu.... Talvez se fosse oficial que se tenha suicidado, pertenceria ao grupo dos puros também e hoje haveria muitos putos a ouvirem Alice In Chains também em vez de ficarem parvos a olhar para mim quando estou a curtir a banda quando a passam nos bares.

Dentro do metal extremo, existe uma ainda maior divinização dos suicidas. São tantos os casos, mas só vou falar de dois. A enorme banda de black metal Mayhem teve um vocalista que se suicidou. Não gravou nenhum álbum e a única gravação que existe com esse vocalista, Dead como pseudónimo, é um concerto na Alemanha que foi editado a seguir à sua morte. A banda continuou e gravou o melhor álbum de sempre "De mysteries dom Sathanas" mas a maior parte das pessoas só gosta do álbum com o suicida por muito má qualidade sonora que tenha. A sua edição em vinil ronda preços absurdos. A banda ainda teve o bom gosto de lançar uma compilação com uma fotografia do cadáver. Refira-se que o homem suicidou-se com um tiro de caçadeira na cabeça, portanto imaginam o belo espectáculo que é a capa do álbum.
Outro mártir é Erik que tocou nalgumas das maiores bandas de black metal. É considerado um dos melhores bateristas de sempre, apesar das suas bandas terem continuado a gravar álbuns com bateristas 300 vezes melhores---
Nunca consegui perceber como, por exemplo, Chuck Shuldiner, dos maiores guitarristas de sempre não é tão famoso. Ah afinal percebo; ele não teve uma morte tão épica. Coitado, morreu "apenas" de cancro.

Concluindo; haverá certamente uma explicação psicológica para tal fenómeno. Mas eu tenho uma assim do senso comum; as pessoas são mórbidas, só não o admitem. É só ver a quantidade de famílias que vão a correr ver um acidente de viação...

domingo, 22 de maio de 2011

As pessoas insistem em colocar à sua volta muros altíssimos com arame farpado no topo para não haver mesmo hipótese de uma fuga.
Os tijolos que assentam esse muro são todas as regras e preconceitos que estão edificados bem na mente de cada um.
Vontade de fugir não faltará, mas continua-se sempre a aumentar o muro. Ele não está muito bem construído, a qualquer momento pode desmoronar-se sobre ti e aí é que não haverá mesmo hipótese de fuga.

Prefácio de crónica alcoólica...

Voltar a beber em grande equivale a grandes lapsos de memória. São 10 horas e depois da 1 da manhã já não me lembro por onde andei. A única memória desta noite, para já, é uma leitora deste aglomerado de parvoíces ter passado esta música para mim como forma de se apresentar. O pior é que eu nunca a tinha ouvido e, com a volatilidade alcoólica ter desatado a chorar porque a letra tocou-me de uma maneira que quase parecia um punhal a penetrar as minhas entranhas.



FEEL SO LOW SOME DAYS
AND ONLY I CAN TASTE
RESENT SECURITY
OBSCURING ALL I SEE

IN MY MIND
IN MY MOUTH
IN MY SOUL
ONLY YOU PROVIDE THESE SYMPTOMS THAT I SHOW

I COULD GO OUT IN STYLE
GO BACK FROM WHERE I CAME
BUT LUCK SEES TO US ALL
AND RARELY PLAYS THE GAME

WE'VE SEEN IT ALL THROUGH MANY YEARS OF LONESOME HELL
BACK TO A PLACE WHERE WE ALL TERMINATE

Não percam o próximo episódio porque nós também não...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Gosto tanto quando as pessoas exteriorizam os seus problemas pessoais nos outros.
Como se já não fosse um esforço olímpico aturar-me a mim próprio ainda tenho que aturar a má-disposição alheia.
Um pouco de erva daquela holandesa talvez fizesse a diferença.
Se não resultar, são benvindos aos meus workshops de auto-mutilação. A libertação pode ser apenas momentânea, mas a mim parecerá como duas ou três eternidades. E pode ser que consigam a mais desejada das mortes: