quinta-feira, 14 de julho de 2011
Perguntas-me: "Porque és assim?". Eu respondo.-"Just because".
Ainda os ecos do Optimus Alive. Talvez tenha ouvido esta música hoje mais de 30 vezes. Perry Ferrel é um senhor.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
De vez em quando aparece uma brisa gélida que me prende os pés a uma humanidade na qual não me revejo. Solidifica-me a um estado físico de onde luto por escapar.
O que se ganha por ser único e fiel aos princípios? Nada... talvez o sentimento de integridade intacto ou a capacidade de pensar livremente, se é que isso existe realmente nesta eterna liberdade sob caução a que estamos condenados para a eternidade.
O fatalismo não entra assim tantas vezes quanto isso em mim. A capacidade hiper-humana de questionar sim.
O que ando aqui a fazer? A ver passar os momentos envoltos em venenoso charme.
Nada me seduz mais. Estou cansado de viver tudo ao extremo, como se o amanhã para mim não estivesse reservado. Ponderação e demais sinónimos ainda não me foram apresentados. Penso que também não iriam gostar da minha companhia... sou demasiado impulsivo. O tempo esculpiu-me assim. O tempo e o arrependimento... junto a isso a falta de crer. Só em mim mesmo ele existe. O resto já nem compaixão merece.
Demasiada a complexidade humana para o meu humilde cérebro que insiste em viajar por outros locais onde nunca estive. Ou talvez tenha estado e estou sempre... É tudo uma incógnita, menos eu. Eu sou uma certeza. Sou potestade sem idade e em mim carrego todos os pesadelos do mundo...
O que se ganha por ser único e fiel aos princípios? Nada... talvez o sentimento de integridade intacto ou a capacidade de pensar livremente, se é que isso existe realmente nesta eterna liberdade sob caução a que estamos condenados para a eternidade.
O fatalismo não entra assim tantas vezes quanto isso em mim. A capacidade hiper-humana de questionar sim.
O que ando aqui a fazer? A ver passar os momentos envoltos em venenoso charme.
Nada me seduz mais. Estou cansado de viver tudo ao extremo, como se o amanhã para mim não estivesse reservado. Ponderação e demais sinónimos ainda não me foram apresentados. Penso que também não iriam gostar da minha companhia... sou demasiado impulsivo. O tempo esculpiu-me assim. O tempo e o arrependimento... junto a isso a falta de crer. Só em mim mesmo ele existe. O resto já nem compaixão merece.
Demasiada a complexidade humana para o meu humilde cérebro que insiste em viajar por outros locais onde nunca estive. Ou talvez tenha estado e estou sempre... É tudo uma incógnita, menos eu. Eu sou uma certeza. Sou potestade sem idade e em mim carrego todos os pesadelos do mundo...
terça-feira, 12 de julho de 2011
O que acontece quando eu te prendo as mão e tapo a boca?
As tuas palavras nuas tapadas por um fino robe de seda, caminham pelas ruas incendiando os meus pensamentos.
As palavras que jamais foram minhas...
Eu largo-te agora as mãos e tapo-te a boca com os meus lábios tentando absorve-las...
Bebo das tuas palavras, elixir da imortalidade, e solto finalmente os teus lábios.
Saciado, deixo os teus lábios partirem com o resto do teu espírito...
Voa, espírito livre, voa até à montanha mais alta e olha depois para baixo...
Fica aí, inacessível, para mim...
Voa mais um pouco e mistura-te com as estrelas.
Reconhecerei o teu brilho todas as noites...
Iluminarás as ruas mais soturnas onde passeio em desventuras nocturnas...
Onde eu vejo a linha ténue que separa o que é errado do que é visionário.
Estou com um pé em cada lado da linha enquanto penso no que sentia quando te prendia as mãos e te tapava a boca com a minha...
As tuas palavras nuas tapadas por um fino robe de seda, caminham pelas ruas incendiando os meus pensamentos.
As palavras que jamais foram minhas...
Eu largo-te agora as mãos e tapo-te a boca com os meus lábios tentando absorve-las...
Bebo das tuas palavras, elixir da imortalidade, e solto finalmente os teus lábios.
Saciado, deixo os teus lábios partirem com o resto do teu espírito...
Voa, espírito livre, voa até à montanha mais alta e olha depois para baixo...
Fica aí, inacessível, para mim...
Voa mais um pouco e mistura-te com as estrelas.
Reconhecerei o teu brilho todas as noites...
Iluminarás as ruas mais soturnas onde passeio em desventuras nocturnas...
Onde eu vejo a linha ténue que separa o que é errado do que é visionário.
Estou com um pé em cada lado da linha enquanto penso no que sentia quando te prendia as mãos e te tapava a boca com a minha...
Depois de Portugal ter sido vítima do terrorismo norte-americano (Moody´s), o patriotismo dos portugueses surgiu em força. Eu que sempre pensei que a maioria dos portugueses era apátrida...
Já estou mesmo a ver que daqui a pouco tempo vão voltar as bandeiras ás janelas de cada casa como aquando do Euro 2004. Espero que desta vez as bandeiras não sejam colocadas ao contrário como aconteceu na altura. Será assim tão difícil de memorizar a ordem das cores na nossa bandeira? Vá lá; não são assim tantas...
Já estou mesmo a ver que daqui a pouco tempo vão voltar as bandeiras ás janelas de cada casa como aquando do Euro 2004. Espero que desta vez as bandeiras não sejam colocadas ao contrário como aconteceu na altura. Será assim tão difícil de memorizar a ordem das cores na nossa bandeira? Vá lá; não são assim tantas...
A melhor crónica de sempre!
"Homem do Leme: O mural de Pessoa.
Se no tempo de Fernando Pessoa houvesse Facebook, então é que a arca nunca mais acabava. E os pessoanos estudariam cada like, com afinco, procurando as motivações literárias e as personalidades escondidas naquele gesto espontâneo. E as partilhas. Talvez aquela Oração que circula por aí,, da Banda Mais Bonita da Cidade, lhe despertasse os sentidos, ou pelo menos a um dos heterónimos. Ai, se a equipa do Mark Zuckerberg descobrisse os heterónimos iria logo classificá-los como perfis falsos, e lá se ia o mural do Álvaro de Campos. Talvez não dessem por nada. E só anos mais tarde os pessoanos mais aplicados encontrariam um perfil falso sem amigo nenhum, mas pessoanamente genial.
Sim, o Álvaro de Campos seria o mais torrencial. Partilhas em catadupa, remissões para o blogue, momentos de grande euforia e habilidade informática. O Ricardo Reis publicaria, rigorosamente, um post por dia, e só aceitaria amizade de pessoas com quem privasse. O Alberto Caeiro não seria informaticamente dotado, mas até acharia graça à coisa. O Bernardo Soares gostaria mais do Twitter. Nenhum deles teria cinco mil amigos, nem mesmo o Fernando Pessoa ortónimo , sobretudo por uma questão de timidez, apesar de passar demasiado tempo no chat com Ofélia. Todos os posts de amor são ridículos.
Imagine-se o manancial de informação arquivado. As publicações do mural. O Almada Negreiros seria um dos mais fervorosos frequentadores, com considerações e discussões acesas. Até ao dia, claro está, em que via a conta bloqueada, por denúncia de Júlio Dantas, que considerou aquela história do "Pim!" indecorosa e imoral o seu mural.
Quando inventaram a revista Orpheu criariam um evento, a que poucos amigos ligaram. Mas eles insistiram muito. Até criaram um site onde publicavam apenas parte dos conteúdos... Quem quisesse ler o resto que comprasse a revista. Contudo, o volume três teria apenas sairia em edição digital, com grafismo do Almada e ciberarte do Amadeo.
Todos choraram muito a Morte de Mário de Sá-Carneiro. De Paris, ele já tinha colocado uns posts que sugeriam a depressão, mas ninguém poderia esperar aquilo. O Mural encheu-se de comoventes mensagens de despedida. Alguns até lhe dedicariam poemas.
Quando Fernando Pessoa morreu, misteriosamente, Ricardo Reis continuou ativo, a publicar os seus posts diários. Quem descobriu isso foi esse tal de Saramago, que o matou anos mais tarde."
Manuel Halpern in Jornal de Letras.
Se no tempo de Fernando Pessoa houvesse Facebook, então é que a arca nunca mais acabava. E os pessoanos estudariam cada like, com afinco, procurando as motivações literárias e as personalidades escondidas naquele gesto espontâneo. E as partilhas. Talvez aquela Oração que circula por aí,, da Banda Mais Bonita da Cidade, lhe despertasse os sentidos, ou pelo menos a um dos heterónimos. Ai, se a equipa do Mark Zuckerberg descobrisse os heterónimos iria logo classificá-los como perfis falsos, e lá se ia o mural do Álvaro de Campos. Talvez não dessem por nada. E só anos mais tarde os pessoanos mais aplicados encontrariam um perfil falso sem amigo nenhum, mas pessoanamente genial.
Sim, o Álvaro de Campos seria o mais torrencial. Partilhas em catadupa, remissões para o blogue, momentos de grande euforia e habilidade informática. O Ricardo Reis publicaria, rigorosamente, um post por dia, e só aceitaria amizade de pessoas com quem privasse. O Alberto Caeiro não seria informaticamente dotado, mas até acharia graça à coisa. O Bernardo Soares gostaria mais do Twitter. Nenhum deles teria cinco mil amigos, nem mesmo o Fernando Pessoa ortónimo , sobretudo por uma questão de timidez, apesar de passar demasiado tempo no chat com Ofélia. Todos os posts de amor são ridículos.
Imagine-se o manancial de informação arquivado. As publicações do mural. O Almada Negreiros seria um dos mais fervorosos frequentadores, com considerações e discussões acesas. Até ao dia, claro está, em que via a conta bloqueada, por denúncia de Júlio Dantas, que considerou aquela história do "Pim!" indecorosa e imoral o seu mural.
Quando inventaram a revista Orpheu criariam um evento, a que poucos amigos ligaram. Mas eles insistiram muito. Até criaram um site onde publicavam apenas parte dos conteúdos... Quem quisesse ler o resto que comprasse a revista. Contudo, o volume três teria apenas sairia em edição digital, com grafismo do Almada e ciberarte do Amadeo.
Todos choraram muito a Morte de Mário de Sá-Carneiro. De Paris, ele já tinha colocado uns posts que sugeriam a depressão, mas ninguém poderia esperar aquilo. O Mural encheu-se de comoventes mensagens de despedida. Alguns até lhe dedicariam poemas.
Quando Fernando Pessoa morreu, misteriosamente, Ricardo Reis continuou ativo, a publicar os seus posts diários. Quem descobriu isso foi esse tal de Saramago, que o matou anos mais tarde."
Manuel Halpern in Jornal de Letras.
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