Num momento tudo acendes
Noutro tudo apagas
Numa miragem tudo perdes
Enquanto me afagas
A vida ausente de amanhas
Desliza suavemente em mim
A quem mais me amarrarás?
Desta vez até ao fim
Numa nuvem de incertezas
Acendes um cigarro que se esfuma
Analisas todas as minhas impurezas
E fixas o olhar somente numa
Para com diligentes certezas
Transformares-te em uma.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
mais nada se move em cima do papel
nenhum olho de tinta iridescente pressagia
o destino deste corpo
os dedos cintilam no húmus da terra
e eu
indiferente à sonolência da língua
ouço o eco do amor há muito soterrado
encosto a cabeça na luz e tudo esqueço
no interior desta ânfora alucinada
desço com a lentidão ruiva das feras
ao nervo onde a boca procura o sul
e os lugares dantes povoados
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem
o mar subiu ao degrau das manhãs idosas
inundou o corpo quebrado pela serena desilusão
assim me habituei a morrer sem ti
com uma esferográfica cravada no coração
Al Berto, “O Medo”
nenhum olho de tinta iridescente pressagia
o destino deste corpo
os dedos cintilam no húmus da terra
e eu
indiferente à sonolência da língua
ouço o eco do amor há muito soterrado
encosto a cabeça na luz e tudo esqueço
no interior desta ânfora alucinada
desço com a lentidão ruiva das feras
ao nervo onde a boca procura o sul
e os lugares dantes povoados
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem
o mar subiu ao degrau das manhãs idosas
inundou o corpo quebrado pela serena desilusão
assim me habituei a morrer sem ti
com uma esferográfica cravada no coração
Al Berto, “O Medo”
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
A pedido de várias famílias.
O teu olhar na noite fixo
Do seu desejo quero ser escravo
Blasfémias a um obsoleto crucifixo
E eu ardendo pelo teu travo.
A memória do teu corpo adormecido
A arder-me no peito
Eu pelo fogo consumido
Renuncio ao humano despeito.
Perdido em sonhos imortais
Deambulo pelo teu corpo
Ausente de pecados imorais
Absorvo o teu sub-humano sopro.
Consumidos pelo fogo fátuo
Os corpos desfalecem
Refugiam-se do infinito vácuo
Onde os medos para sempre desvanecem.
Nos meus braços adormeces
Protegida dos teus medos infundados
Perante o meu olhar pereces
Junto com os teus pensamentos amordaçados.
Do seu desejo quero ser escravo
Blasfémias a um obsoleto crucifixo
E eu ardendo pelo teu travo.
A memória do teu corpo adormecido
A arder-me no peito
Eu pelo fogo consumido
Renuncio ao humano despeito.
Perdido em sonhos imortais
Deambulo pelo teu corpo
Ausente de pecados imorais
Absorvo o teu sub-humano sopro.
Consumidos pelo fogo fátuo
Os corpos desfalecem
Refugiam-se do infinito vácuo
Onde os medos para sempre desvanecem.
Nos meus braços adormeces
Protegida dos teus medos infundados
Perante o meu olhar pereces
Junto com os teus pensamentos amordaçados.
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