terça-feira, 31 de julho de 2012

Era só uma questão de tempo até o vício começar a interferir com o trabalho...

Sempre me disseram que uma dependência acaba, invariavelmente, por prejudicar a vida profissional.
Hoje, injectando a minha dose literária durante a hora de almoço, acabei por me afundar profundamente naquele mar calmo onde tudo é harmonioso e onde o dragão não foge. Ele está ali mesmo ao lado e conversa comigo.
Essa viagem foi tão sideral e etérea que perdi completamente a noção do tempo.
Resultado: cheguei atrasado 40 minutos ao serviço.
Não é nada bom chegar atrasado, muito menos no mês em que se decide a minha passagem ou não aos quadros da empresa.
Mas as pessoas já comentam entre elas... "Aquelas olheiras de quem não dorme de noite. Não deve andar a fazer nada de bom. E aquele aspecto? O rapazinho desleixou-se mesmo. Aquela barba não deve saber o que é uma lamina de barbear há meses. Anda sempre aluado, muitas vezes irritadiço. Só pode ser a ressaca... Está mais que visto que ele é um "culto".
Coitada da família! Gente humilde e trabalhadora, não mereciam um desgosto destes."
-"Mas será que é só nisso que ele anda metido? Não andará em nada mais pesado? Não será ele antes um "intelectual"?"
-"Oh meu deus! Não digas uma coisa dessas!!! Coitada da família!"

Imploro por ajuda!!!! Tenho que me tornar fútil!!!! Ajudem-me por favor!!!! Se não por mim, façam-no pela minha pobre família que de nada tem culpa!!!!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Acho que estou com um jet lag existencial.
Estou sempre no fuso horário errado do ser...

Música optima para se cantar mentalmente quando se é chamado ao gabinete do chefe depois de chegar de férias...


Whatever you want,
whatever you like
Whatever you say,
you pay your money
You take your choice,
whatever you need
Whatever you use,
whatever you win,
whatever you lose
You're showing off,
you're showing out
You look for trouble turn around give me a shout
I take it all, you squeeze me dry...

sábado, 28 de julho de 2012

Gosto tanto do verão!!! Mas só deste, onde guitarras eléctricas tocam música clássica. Sommer und bier...



Tirem o som se forem incapazes de apreciar esta beleza no seu estado mais puro, mas, pelo menos, tentem dar uma oportunidade à letra fantástica. Não consegui encontrar traduzido para inglês, aqui está em espanhol. Mas é fácil de perceber. Claro que se fosse um espanhol, recusar-se-ia a ler em português...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Afonso Cruz; "jesus cristo bebia cerveja."- Mais um tesouro da literatura portuguesa.

Não vou mentir; comprei este livro devido à capa e ao título. Não há como uma boa blasfémia para receber logo a minha atenção.
Excelente manobra de marketing para fazer realçar imediatamente mais uma obra-prima da nossa literatura.
É impossível fugir à comparação da escrita de Afonso Cruz com a de Valter Hugo Mãe. Não que isso seja algo negativo, muito pelo contrário. Obviamente são diferentes, assemelham-se pela simplicidade, falta de pretensão, humildade com que pautam as personagens e pela velocidade e facilidade com que devoramos as páginas.
O livro lesse num ápice apesar das suas duzentas e muitas páginas. É mais uma daquelas poucas obras que nos assaltam com os desejos contraditórios mas complementares de querer chegar rapidamente ao final e, ao mesmo tempo, de nunca mais lá chegar porque não queremos que acabe.
A estória relata fielmente o que é a vida no campo, a simplicidade, humildade e a caricatez de cada pessoa que habite numa pequena aldeia no interior cada vez mais desertificado do país.
É uma viagem de situações surreais pautadas pela irracionalidade do amor e pela luta das suas personagens pelos seus sonhos por mais impossíveis que pareçam.
Desde Rosa- a personagem principal- que embriaga todos os homens com a sua juventude e simplicidade, ao pároco que gostava de ser chicoteado no rabo por uma stripper, ao professor ateu e apaixonado pela ciência, ao hindu e ao nigeriano contratados pela inglesa rica para as suas tertúlias religiosas na sua luxuosa casa, todas as personagens criam um estranho equilíbrio num relato impar sobre a condição humana e o sentido da vida. Sim, existe muita filosofia aqui pelo meio onde se mostra que a felicidade jamais poderá ser standardizada. Cada pessoa é como é; independentemente de não saber o que é o seu eu.
A cerveja é considerada o pilar do desenvolvimento da humanidade, a razão de termos que trabalhar e a razão pela qual temos tudo que nos rodeia. Curiosos? Leiam o livro. Ler Afonso Cruz produz o mesmo êxtase que a primeira SuperBock gelada que emborcamos nestes dias de verão...
O livro perfeito para alguém como eu, que adore cerveja e uma boa leitura. Então fazer as duas coisas ao mesmo tempo? Orgásmico...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Qual a utilidade do Cartão do cidadão? A única identificação que é necessária é o extracto da conta bancária. Isso é quem somos...

A razão é solitária ,indigente, nómada...
Vagueia por entre nuvens de vertigens.
A razão é polícia. É tirana.
Despeja-nos da nossa casa decorada com pensamentos.

A razão é sedutora e repugnante.
É o que busco e do que fujo.
Ela provoca misantropia com a sua alegoria...
É sempre o que é e não deveria de ser...
Sou eu, mas eu não quero ser eu...