quarta-feira, 20 de junho de 2012

Transmitir emoções: ou se tem essa capacidade ou não se tem.

Povoam o subjectivo mundo das artes inúmeros artistas para todos os gostos. Os mais simples, os mais complexos, os mais malucos, os mais sãos, os irreverentes, os seguidores acérrimos de escolas artísticas antigas. É só escolher...
O que eu gosto na arte? Não gosto de tendências... Não gosto de modas... Não leio críticas ao que quer que seja... Gosto apenas de arte que me faça sentir algo. Independentemente se é de alguém consagrado, de alguém desconhecido, de alguém apaparicado pela crítica ou arrasado pela mesma...
Não me interessa se o artista segue as regras do estilo, se as inventou, ou se as adaptou à sua obra.
Criar algo é o mais próximo da liberdade a que o ser humano pode almejar. Por isso faz-me confusão que existam regras pré-estabelecidas que acabam por limitar os aspirantes a criadores...
Existem técnicas do bem-fazer. Registos documentados de como criar... Mas seguir essas regras faz automaticamente com que a criação seja boa?
Por vezes deparo-me com textos, quadros, músicas tecnicamente irrepreensíveis, com toda uma sapiência, uma suposta perfeição e não me dizem absolutamente nada... É como ver, ler, ouvir o vazio...
O mais importante no artista não é o saber fazer ou criar, mas sim as reacções que consegue transmitir...
Dou o exemplo prático desta música:


Das melhores que alguma vez possuiu os meus ouvidos e restante corpo. Imperfeita? Tem falhas. Sim... Os interpretes são competentes mas não atingem a perfeição nos seus instrumentos. E que interessa isso? Adoro...

Oiçam agora o mesmo tema tocado por músicos do caralho:


Não soa a nada... Está lá tudo muito bem tocado, muito bem cantado, mas falta-lhe emoção...

Pode ter todos os atributos técnicos e teóricos, mas não me consegue transmitir absolutamente nada...

Uma das características do ser humano é a imperfeição. A grande quimera dos humanos, a par da imortalidade, é a procura da perfeição, mas para quê? Os pequenos defeitos é que tornam tudo único...

Basta ter um pequeno desenho de alma que uma criação torna-se única. Os erros são secundários, irrelevantes perante a grande conquista de um artista: fazer alguém sentir... Basta de tentar encontrar a perfeição. Ela não existe... Existe um placebo da perfeição e custa-me ver que a arte se está a deixar consumir por esse mesmo placebo...

2 comentários:

Marie Carvalho disse...

O desejo de alcançar a perfeição é, por vezes, um desejo patológico de uma mente que despreza a sua própria condição humana, não aceitando portanto as suas limitações enquanto ser finito que é, sendo torturado pela sensação de ter uma alma aprisionada.

Foi muito pertinente essa tua observação e admito que me deu vontade de falar sobre ela: sendo que é um tema muito delicado para mim.

Blizard Beast disse...

Obrigado pelo comentário.
Consegui criar um texto que fez alguém pensar, reagir. Aí está a prova de tudo o que escrevi...

A perfeição assim como a liberdade estão interditas ao ser humano.
Existem apenas meras ilusões de que estão ao alcance...

Não consigo aceder ao teu blog. As actualizações aparecem-me no blogger, mas o acesso está negado porque é apenas para leitores convidados.
Vi que este texto deu origem a um teu, mas só consegui ler duas ou 3 frases...