quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Consegues sentir o crepúsculo a esvair-se?
A ausência de guerra não significa paz.
Longe está a vontade de querer.
Longe está tudo.
Longe dos olhares cobiçadores.
Tu também estás longe.
Eu? Eu estou sempre perto.
Perto de onde não quero estar.
Estou demasiado perto de mim.
Certas vezes tenho medo de mim.
Outras tenho medo de ter medo.
Instantes em que a harmonia faz a sua visita.
Tudo está reflectido na atmosfera circundante.
Tudo é espelho do que não sou.
Não sou a nuvem negra ameaçadora.
Não sou um raio de sol que aquece alguém.
Não sou a vida nem a morte.
Sou algo.
Sou uma coisa.
Sou o que ninguém quer que seja.
Sou a encarnação da nulidade,
Sou o sonhador inveterado de quem os sonhos fogem.
Sou poeta malfadado inundado por palavras que não me obedecem.
Sou o que alguém gostaria de ser.
Claro que não.
Eu carrego em mim demasiada escuridão.
Tenho em mim todas as soluções para os teus problemas.
Apenas eu sou uma equação matemática sem resolução.
Mas no meio de tanto sou e não sou encontra-se o verbo ser.
E eu consigo conjugar a primeira pessoa no presente.
E também pretendo conjugar no futuro...
No presente está seguido de reticências, já não de pontos de interrogação.
No futuro, o presente será acompanhado de uma palavra.
Qual? Eu.

2 comentários:

sofia.lemos09 disse...

Lindo texto. Triste no início mas no fim tem uma reviravolta inesperada e termina com um optimismo que nem parece teu. Tu és uníco. Beijo amigo.

P.s: O que se passa que agora quase ninguém comenta?

Marina Almeida disse...

gostei imenso! Brutal!