domingo, 25 de julho de 2010

Crónica alcoólica versão concerto punk.

Voltou o calor em força. Logo agora que eu pensava que me tinha livrado dele. Nunca mais chega o inverno e as suas chuvas demolidoras e o seu frio atroz!
Fim de semana com concertos... Já não tenho noção do ultimo a que fui assistir. Esses espaços são o meu habitat predilecto, onde vagueiam as espécies cada vez mais ameaçadas de extinção.

Hoje é dia de ir de comboio. Sabendo de antemão que vou beber umas cervejas valentes, nunca pego no carro. Fica sossegadinho e em merecido descanso este guerreiro de lutas absurdas...

Está fresquinho no comboio. Os valores apresentados no ecran das informações do comboio acusam uns incríveis 37 (????) graus exteriores!!!!! Foda-se!, não há cerveja que consiga eliminar tanto calor!!!
Já bebi um pouco antes de entrar no comboio. Estou assim para o alcoolicamente bem disposto. Enceto uma conversa um pouco absurda com os amigos que vão comigo. Tanto tempo e dinheiro gasto em bares e é nos comboios que se vêem mais e melhores mulheres! Vou começar a passar os meus fins de semana a andar de comboio. Compro daqueles pacotes de 10 viagens e ando para trás e para a frente, porque realmente vi coisas muito belas nesta curta viagem.

Chegados ao Porto, essa cidade sublime e apenas a mais bela do mundo com a sua aura carregada de cinzento. O calor abate~se em vagas infernais novamente. Ainda temos que andar um bom bocado até chegar ao bar. Para ganhar coragem, um saltinho ás esplanadas da Avenida dos Aliados para beber uma e tentar decifrar as nacionalidades dos muitos turistas que torram ao sol nortenho.

Foi num ápice a fresca. Toca a seguir caminho. Adoro andar pelas ruas do Porto. São mágicas e respiram aquele sentimento de invencibilidade que tanto orgulha a cidade.

Chegados á rua do concerto é preciso descobrir o resto da matilha. Não é difícil. onde estão cabeludos com correntes e outras pessoas com penteados muito estranhos e roupa rasgada em mil bocados, encontro sempre quem procuro.
Só quero ver uma banda e toca em terceiro lugar, portanto toca a atacar as cervejas nos cafes porque são bem mais baratas do que no local do concerto.
A cerveja muda de preço a cada 5 minutos. Que estranho! Não se pode contar os trocos porque não se sabe quanto custará a a próxima.

Dentro do bar...
Muitas vezes questiono-me o porquê de se insistir em ser musico nos estilos mais marginais e alternativos. As pessoas que acompanham a cena são sempre as mesmas e os sítios para tocar tem quase sempre condições deploráveis. É preciso gostar mesmo muito!!!!
Os concertos foram razoáveis tendo em conta a qualidade péssima do som. Ao fim de não sei quantas cervejas, dou por mim em pleno crowd surfing. Assusta-me o tecto estar tão próximo! Devem ter perdido a cabeça, pois os meus 80 quilos sempre pareceram desmoralizar todas as anteriores tentativas.

O bar também muda constantemente o preço da cerveja. Bem, isto será alguma moda nova no Porto??? É um pouco ridículo. Tudo bem que não gosto muito de coisas pré estabelecidas, mas isto é um exagero.

De repente, acabou tudo. Tou com uma fome titanica! São 11 da noite e só comi a cevada que vem na cerveja durante o dia todo. Sugiro o mítico 77 para comer, mas nínguem quer ir. Preferem andar ás voltas nas ruas á procura de algo bom e barato que esteja aberto a estas horas. Já tinha ouvido falar de quimeras. Isto é uma delas.
Acaba toda a gente por ir ao sítio que tinha sugerido. DAAAAHHHHHHHHHHHHHH!!!

Come-se e bebe-se e está na hora de apanhar o comboio de volta. Estou com vontade de ficar a noite toda, mas isto é fim do mês e a coisa está um pouco complicada.
A vida nocturna do Porto está bem e recomenda-se apesar da quantidade de betos que asfixiam o ar.
Sou abordado por umas universitárias por causa da minha camisola. Já estou atrasado para o comboio. Porque é que isto não me acontece quando tenho a noite toda???? Ainda troco uma conversa bastante interessante com uma delas, não fosse ela estudante de filosofia. Até lhe disse que me casava com ela se já tivesse lido os livros todos de Nietzsche. E não é que ela leu??? Ou diz que leu. Mas fala com muito conhecimento de causa, portanto acredito. GGGGGRRRRRRRRR. Tenho que me ir embora quando tou no meio de uma conversa deveras agradável. Enfim...

Acordo no outro dia e penso sempre no que aprendi na noite anterior. Nada. Nunca aprendo nada. Devia poupar dinheiro para quando for pai de familia. Mas aqueles momentos em que uma pessoa se sente tão bem sem razão aparente quase sempre de noite não tem preço. e é sempre bem gasto os euros que gasto nestes devaneios nocturnos.