quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A dream of wolves in the snow...

Sou como um lobo que uiva para a Lua sem razão aparente.
Sou noctívago entre diurnos.
Sou como um corvo que paira cobiçando os mais belos olhos. Sou negro pincelado com tons de cinzento. Pintor de sorrisos imaginários e utópicos em literaturas errantes.
Músico dos mais dissonantes acordes em instrumentos fictícios com contagiantes melodias desconexas.
Poeta com letra minúscula que olha para o que o rodeia e traça retratos desprazíveis com a torrente de pensamentos imundos e sub-humanos que jorram...
Sou um analítico que não procura conclusão alguma.
Empresário de cruzadas lucrativas contra o capitalismo.
Servo de escravizadores sem nome ou forma. talvez seja eu ou talvez sejas tu, não sei nem quero saber e não tenho raiva de quem sabe.
Porquê? Porque ninguém sabe nada... eu sei algo, mas não o partilho. sei que não sei o que nunca deveria ter sabido.
Mas o lobo continua a uivar á lua e eu continuo a escrever e ambos não nos questionámos sobre a razão dos nossos actos. É tudo natural, de natureza decrepita, de falta de questionar. de falta de pensar...
Mas eis que se inverte o quadro negro e novas cores escuras vestem-se com os seus trajes de noite de gala e o lobo acompanha-as com o seu lado mais sociável. Mostra os dentes em desdém e tu não consegues ver o sarcasmo inerente neste ser irreverente.
Banha-se o lobo em banhos lunares que tiram a cor do seu corpo. É solitário...
É venerado por si mesmo e pela mesma lua que ele insiste em uivar sem sentido contido no seu latido. Talvez seja apenas uma estranha forma de amar...
Talvez seja apenas uma estranha forma de venerar.
Mas, impávido e indiferente a estes dilemas tão profundos e ao mesmo tempo supérfluos, o lobo continua a uivar e eu continuo a escrever.