quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sinto os teus dedos dentro da minha carne arrancando grandes lascas da minha humanidade.
As tuas unhas, afiadas como um desejo, deixam marcas profundas na minha pele que não cicatrizarão.
Estranha esta imunidade à suposta dor que gritaria lamentos ensurdecedoramente mudos por todos os flagelos com que vais decorando o meu corpo, como se dele fizesses uma tela onde pintas todas as tuas frustrações.
Quantas vezes bebeste o meu sangue que jorrava incessante dos cortes que me oferecias para eu sentir-me vivo...
O meu sangue não tem sabor.
A inércia está em constante labor.
Mutilado, amarrado estou sempre quando abro os olhos.
Quando visto todo este fato de carne no qual não me reconheço.
Mas quando sinto os teus dedos a percorrê-lo, aí sim, sorrio porque vais tentando chegar a mim removendo o mundano e espreitando para dentro das feridas na esperança de me veres...
Talvez um dia, quando já nada restar de mim, me encontres...

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