terça-feira, 2 de fevereiro de 2010


Moro no cemitério das emoções de outrem.
Necrófaga a necessidade de amar o que perdeu a vida e descansa agora não em paz.
Sou vil criatura que vagueia nos meandros de sepulturas espirituais. Saceio a minha sede nas lágrimas que flutuam livremente dançando com o vento. Sonho com os olhos que as derramaram e interrogo-me se os meus perderam essa capacidade.
Sem piedade, estudo a anatomia desses cadáveres que despejaram na minha moradia. Cientista tresloucado tentando compreender o que é indecifrável.

Porque é que as mais belas emoções são tão efémeras?

Procuro a cura para todas essas catástrofes.
Para todo o sempre acompanharei os funerais das paixões. Os sonhos carregam os caixões, sempre foram os seus fíeis companheiros. Agora, choram no meu jardim cinzento.
Alguns reinventam-se e ganham nova identidade, mas outros perdem-se para sempre e são sepultados lado a lado com as paixões.

Tudo jaz inerte, incapaz de reacção ao meu golpear. Disseco tudo lentamente tentando visualizar estas existências irreais. a beleza permanece intacta, a uníca não-efemeridade. Mórbida satisfação de ver perante mim tão belos cadáveres.
Apaixono-me por eles e perante os seus sonhos, sonho eu em devolver-lhes a vida.

1 comentário:

Dia da Poesia disse...

Quando encontrares alguém para dedicar todos esses sentimentos, esse alguém vai se sentir vivo, aquecido pelo calor humano e apaixonado da pessoa que és!