domingo, 27 de junho de 2010

Crónica alcoólica versão despedida de solteiro.

Sábado de tarde, o termómetro marca valores estúpidos de calor. Não consigo estar em casa, é demasiado infernal o calor que se abate. Está na hora de partir rumo a esplanadas para contemplar a existência sem o mínimo de esforço. Pestanejar parece uma tarefa megalómana hoje. Uma missão impossível e desumana para se realizar.
Peçam-me o mundo, mas não me peçam para me mexer.

Tinha apregoado aos quatro ventos que iria deixar de beber, mas acabei por abortar esse plano nuclear. Eu sem cerveja, não funciono. Não consigo deixar essa mulher que tantas alegrias me dá! É uma relação muito especial de amor-ódio que cohabitam na perfeição.
Portanto aí estou eu a beber canecas de cerveja geladinha enquanto observo com desprezo tudo o que me rodeia. Um olhar de superioridade que se esbate á medida que o álcool começa a fazer o seu efeito tão aprazível de entorpecer tudo e tornar esse tudo uno.

Estou já bem lançado quando se reúne a seita de bebedores de intervenção para a despedida de solteiro de um amigo meu. Longas horas de consumo extremo de álcool anunciam-se com toda a pompa.

O jantar já terminou e somos sempre bombardeados com o desafio de esvaziar um barril de 50 litros de cerveja. Desafio que aceito de muito bom grado. São poucas as pessoas que estão a beber, mas pertencem á tropa de elite de extermínio alcoólico...

Já não sei que horas são. Já me sinto estupidamente dormente. Uma mensagem chega ao meu telemovel a perguntar se ja tive uma lap dance. A única que tive e terei nesta noite foi terem-me entornado no colo uma cerveja. Essa minha amada é tão intima que até já banha os meus genitais!

Já é de manha e estive sempre com um copo na mão desde que cá cheguei. não tenho noção do quanto bebi, mas estou estranhamente bem. Talvez o que corra dentro das minhas veias não seja sangue mas sim cerveja, pois não faço ideia para onde ela vai parar.
De repente estou em frente a uma igreja a segurar o noivo para que o dispam. O homem fica ali nu em frente á igreja que no próximo fim de semana vai receber o seu casamento.Estranhas estas tradições!!!!!

É tempo de voltar. Antes disso há tempo para fumar um cigarro e ter uma discussão estúpida sobre a beleza de cidades que não são mais do que aglomerados de betão disformes.

Mais um dia que pareceu ter a duração de 2 segundos.
Maior e mais penoso está a ser este com a ressaca a agonizar-me brutalmente.

1 comentário:

Sofia disse...

Pois, tinha ouvido falar sobre essa tentativa (frustrada) de deixares de beber.
Para que queres negar um grande prazer que tens?