segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Karl Marx defendia que a "Igreja é o ópio do povo", o nosso ditadorzinho de trazer por casa defendia que Portugal era o país dos 3 F´s (Futebol, Fátima e Fado).
A Igreja está moribunda. As futuras gerações encarregar-se-ão do golpe de misericórdia.
O fado já viveu melhores dias, portanto eu acho que o futebol é que é o ópio do povo e o único dos F´s que sobrevive.
Gostar de futebol serve, por exemplo, para ter sempre motivo de conversa. Não me imagino a falar de livros, música ou de filosofia com as pessoas com quem trabalho por exemplo. Quando não há futebol é como se uma depressão enorme se abatesse sobre as pessoas e perdem toda a capacidade de comunicação a elas inerente.
Mas o futebol, nos dias de hoje atingiu um patamar muito superior e que ainda ninguém reparou. O futebol transmitido na televisão é um bom meio de culturalizar o povo. (também poderia ser de mandar mensagens subliminares, mas não vou já fazer mais uma teoria da conspiração).
Passo a explicar: os canais televisivos apostam em colocar comentadores nos desafios de futebol que insistem em usar palavras demasiado complexas para a maioria dos espectadores. Citam escritores enquanto analisam um fora de jogo e usam termos de psicologia para descrever um ou outro jogador. O interessante disto é que as pessoas que consomem massivamente futebol devoram todas as palavras que são debitadas pelos comentadores e inconscientemente começam a usá-las no seu dia-a-dia. Muitas não sabem o seu significado e quando o sabem ficam felicíssimas. Quando oiço pessoas que só dizem caralhadas subitamente começar a usar palavras como "inexorável", "sublime", "espectável", reflicto sobre o poder da televisão e que ele poderia ser usado para realmente educar o povo que não pega em livros. Os comentadores estão a fazer um grande serviço à lingua portuguesa, mas eu propunha que se colocassem escritores a comentar os jogos, para acrescentarem mais alguns adjectivos ao léxico dos famintos de futebol. Imagino, por exemplo, o Lobo Antunes a comentar uma finta do Gaitan como "algo desumanamente complexo para o seu oponente decifrar. Apenas ficou admirando a sombra do jogador que fugia com a sua glória pretendida toda a vida ao longo da linha de fundo".
Acredito que há escritores que gostam de futebol. Portanto a Rtp deveria exercer o seu dever de serviço público e começar imediatamente com esta culturalização do povo. Metam escritores portugueses, há tantos e tão bons, a comentar os jogos da Champions League. Lentamente, notar-se-iam mudanças no vocabulário dos lusitanos. De manhãzinha nos cafés, assistir-se-ia a conversas com palavras como " passe kafkiano" ou " remate tolkiano".
Espero que nenhum membro do governo leia este texto, porque pode ficar excitado e começar a comentar os jogos e a passar a mensagem de que o orçamento de estado é benevolente para os portugueses no meio de uma arrancada do Maxi Pereira. Isso seria muito mau!! Esqueçam que eu escrevi isto!!! Este texto auto-destruir-se-á em 5 segundos.... Ai o que fui fazer!!!!!!!!!

1 comentário:

Mª Teresa Antunes disse...

great great great and gerat AHAHHAHAHAH