domingo, 23 de maio de 2010

Crónica alcoólica volume 0.33.

Sou criatura de névoas, escuridões e de temperaturas glaciares. Não me dou bem com o calor. Ele torna-me acéfalo e inoperante, totalmente vazio de conteúdo. Estes últimos dias tem hiperbolizado a temperatura. Num fim de semana em que não tive de trabalhar até horas impróprias para consumo, procurava a cura para este inferno na terra. Até parece que Belzebu, Pazuzu, Baphomet, Satánas ou como se chama o individuo abriu as portas do inferno para ele se propagar aos terráqueos quiçá na busca de novos demónios para a sua legião.
A cura para o calor que encontro sempre é a ingestão massiva e em sobredosagem de cerveja. Como se esta sede fosse mesmo infinita! Obviamente, e mesmo tendo uma grande capacidade de resistência ao álcool, os efeitos dessa destruição de stocks cervejeiros deixa marcas. Sim, a porta do condutor do meu carro que o diga! Com uma linha bem definida de um pouco do excesso de cevada que trazia dentro de mim. Experiência surreal, vomitar enquanto se conduz!!!!! Não recomendo!
Para variar e por muito tarde que me deite nas sextas feiras, ao sábado acordo quase sempre à mesma hora dos dias em que tenho que ir trabalhar.
Portanto, a pé desde muito cedo, que se vai fazer??? Tomar uma boa dose de cafeína para aniquilar a ressaca que se insinua cada vez mais e que irá eclodir a qualquer momento. Pronto, estou desperto! Está na hora de convocar as tropas para mais um assalto ás arcas do café sempre abastecidas de munições para os destemidos soldados que lutam para o consumo de toda a produção da Super Bock, esse verdadeiro e genuíno produto nortenho.
Tenho ensaios com a banda de tarde, mas pela primeira vez na minha existência, não estou motivado para tocar. A visão da sala de ensaios fechada e ultra-quente supera neste momento a mais terrível visão dantesca que poderá existir. Acaba por não haver ensaio e ao final da tarde os pensamentos já se formam com uma lentidão invulgar. O antidoto para o calor ja esta a resultar!
Tinha coisas para fazer à noite. Havia o concerto de Mão Morta em Braga e ir ter com uma amiga a Santo Tirso, mas já não consigo fazer nada. A apatia e a inercia parecem ser uns dos ingredientes da cerveja e eu estou sob a sua alçada.
É o aniversario de um dos meus melhores amigos e um dos melhores comandos nesta guerra declarada aos grandes stocks de cerveja. Prontos, vai ser o dia e a noite a beber e a falar de coisas importantes e logo a seguir das mais fúteis.Estranha esta dicotomia. Fecha tudo, já a horas bem avançadas da noite. Mas as tropas continuam com vontade de extremínio. Não há mais sítio para ir a não ser as tão por mim odiadas roulotes.
Acaba por numa dessas roulottes destilar uma conversa muito erudita e construtiva entre os presentes para surpresa de todas as formas de existência preconceituosas que acham que não deveriam partilhar o ar connosco. Discute-se o estado da musica e a dificuldade em dar concertos dentro dos estilos mais extremos. Não que seja tão difícil quanto isso tocar ao vivo, mas sim haver espaços que paguem ás bandas. Para mim, a música é a arte suprema e não busco reconhecimento financeiro por fazer essa mesma arte. O meu pagamento é suficiente em ter pessoas diferentes a ouvir o som que faço. Outras pessoas pensam de maneira diferente e parecem pensar que as bandas que agora enchem estádios e tocam em gigantes digressões mundiais sempre receberam cachets taludos! È preciso levar muito no corpo para se conseguir fazer alguma coisa. É preciso construir o nome e fazer todos os sacrifícios e mais algum para tirar(?) algum partido disso futuramente. Dentro da música alternativa não há cachets, não deveria haver vedetismos, mas esses egos gigantescos que habitam este espaço tão claustrofóbico acabam por passar ao lado de grandes carreiras devido à mentalidade de que tem que receber sempre para tocarem. Quantas bandas promissoras não faleceram devido a isso?
A conversa estende-se por muito tempo e depois apercebo-me que já é dia e a minha cabeça está pesada. Mais um fim de semana em que não fiz nada de útil. Mas pelo menos o calor foi vencido ao fim de muitas horas e muitas cervejas depois.

1 comentário:

Sofia disse...

Keep on drinking in a free world!
Beijoca.