terça-feira, 4 de maio de 2010

Tu não conheces a direcção do vento e não consegues ouvir a sua triste melodia. Ele sopra de e para qualquer lugar. Varre nos seus sopros gélidos as memórias que cairam envelhecidas das árvores do passado.
Atira-as para longe das feridas crónicas que são demasiado fortes para cicatrizarem. Delas flui um pus corrosivo que contamina as correntes dos rios. Estes desaguam em mares esplêndidos e tentadores para neles se mergulhar de cabeça nas águas cristalinas de arrependimentos.
O vento corre livre, os teus pensamentos invejam-no. Um dia serão como ele. E a sua triste melodia que apenas eu oiço seja substituída por vozes sopranas e supremas que entoam árias de harmonia, essa palavra levada pela maresia.

Em suaves goles, bebes do cálice do desejo, o elixir da vida. Substancia dopante que adormece os receios e a torna mais suportável.
Enquanto não entranhas em ti a direcção do vento, repastas-te em sonolências de pensamentos de que tudo está bem. que afinal o universo é um só e que as estrelas que te cumprimentam na noite são personificações tuas.

Pobre tolo....

1 comentário:

Dia da Poesia disse...

um grande ALELUIA a esse vento...