quinta-feira, 6 de maio de 2010

O velho navio, a maré levou para longe da vista. Com ele, sentimentos agora longínquos.
A cada bater das ondas um destroço é trazido de embarcações que carregavam sonhos. Eles naufragaram e dançam agora com sereias. Em cada sonho que morre, uma parte de nós é sepultada.
As sepulturas multiplicam-se em mar e terra. Não identificadas e os anjos da desolação vagueiam em sua guarda, preservando a dignidade da morte do que outrora coloriu com cores mais vivas que um arco-íris, sorrisos de pobres almas ingénuas.
Lá onde as velas se pagam e sopram murmúrios, carrega-se um luto pelo que se ganha e nunca pelo que se perdeu e as palavras, em cujas embarcações andam á deriva, desejam afogar-se no mar negro da inutilidade. Elas perdem todo o seu valor com o seu significado desaparecendo na neblina marítima. Não existe Farol guiar palavras e sonhos que se perderam. Tornar-se-ão espíritos que nos assolarão nas noites mal dormidas. lembrando.nos do que já fomos e jamais voltaremos a ser.

1 comentário:

Dia da Poesia disse...

Como te compreendo!

O melhor ainda está para vir… principalmente aquele momento em que já só vemos no passado aquilo que queremos recordar e dele, principalmente o que não voltaremos a fazer. Julgo que é a fase da aceitação (daquelas cinco que falamos.. ).

Quero acreditar que todas as, menos boas, experiencias servem para nos fortalecer, para fazerem de nós HOMENS e MULHERES…