segunda-feira, 12 de abril de 2010

Amanhecem uns olhos cobertos de raiva.
Imagem onomatopeica que substitui o sol envolto em sedutora neblina.
Os olhos erguem-se anunciando a chegada de um novo dia raiando dissabores. Descendentes primogénitos de antepassados filiados na tristeza. Nova geração de não-rancores. Evolução natural, simples transformação não-etereal. pré-destinados e pré-escritos a relegarem as íris responsáveis pela sua criação.
Novos olhos claros na sua escuridão enfeitiçam pela sua ambiguidade.
Tal como a verdade ameaça nunca ver a claridade, eles escondem-se na indefinição da sua idade. Vêem para lá do óbvio com um simples aplicar de um questionar. O que está no que parece explicito resguarda e protege o sempre implícito.

Raiva... recebida com militar salva. Incontida mas nunca perdida.
Raiva... por razão nenhuma e por todas.
Em olhos desarmados por nomenclaturas, em que apenas os fortes sobrevivem, acordam as visões dos campos onde morreram as ilusões e que são agora palmilhados pela raiva. A imortal raiva...

1 comentário:

Miosotis disse...

...'palavras de um solitário' que solta cascatas de raiva, não em relação ao que o rodeia, mas em que relação ao experiencia em seu âmago!
Um solilóquo de tempo(s) de desilusão!?
Forte mas não soterrado...

Sensibilizada pelas palavras deixadas!