quinta-feira, 25 de março de 2010


Às vezes gostaria que fosses de barro para eu moldar-te à minha maneira.
As minhas mãos desenhariam um corpo ausente de impurezas e os meus dedos rejubilariam à medida que te percorreriam.
Pele sedosa que ofuscaria o brilho altivo das estrelas. Bem no teu âmago floriria uma alma repleta de sonhos indestrutíveis, armados com uma imensa vontade de serem livres.
Daria especial ênfase ao desenho do teu sorriso. Seria único. Derrotaria o das mais belas deusas nocturnas. Eclodiria em tempestades revoltosas mas, ao mesmo tempo, de uma serenidade sideral capaz de enlouquecer trovadores.
Estranha erupção de beleza intestemunhada que despoletaria apenas perante mim.
Seria artesão reconhecido no irreconhecimento. Guardaria para mim essa obra de arte e envelheceria olhando todas as noites para ti.
Não seriam necessários artifícios forjados como a fala. Serias dotada do mais doce silêncio capaz de todos os diálogos mais enriquecedores.
Os teus olhos seriam o farol que me guiaria sobre as vagas tormentosas de dor. E a eles edificaria templos sem pedras mas apenas erguidos em palavras não ditas, mas apenas sentidas.
Serias feita de uma matéria prima em que acção do tempo seria inócua, durarias até ao fim de todas as eternidades com a tua beleza inalterada.

Ousasse eu ser esse artesão intrépido.

2 comentários:

Sofia disse...

Rapaz,tu arrepias-me com o que escreves. Que texto tão lindo!!!!!
Invejarei a mulher que um dia te tiver como seu poeta privativo.
Beijoca.

Anónimo disse...

mais uma vez.... gostei muito