quarta-feira, 3 de março de 2010

Existe uma barreira intransponível protegendo, ou nem por isso, as pessoas, impedindo-as de sentirem a plenitude da essência humana.
Os rostos imparciais e sempre com o mesmo trejeito ausentes da mais remota centelha de profundidade.
"Criatura de hábitos e rotinas", assim é descrito o Homem. Criatura e besta são sinónimos neste compêndio que vê todo o conhecido adquirido desaparecer.

A superficialidade é a bandeira que está hasteada no ponto mais alto do domínio humano. Todos encaram como novo mandamento que se tem que obedecer cegamente. Nova pátria encontrada que defende de todos sentimentos que ameaçam profanar a não-existência.
"És apenas o que aparentas ser". É esta a frase cunhada na moeda deste desagradável mundo novo.
A filosofia foi exterminada num novo holocausto sem vitimas físicas e visíveis.
Não há lugar para o sentir.
O corpo é a pessoa, não o que, supostamente, reside no emaranhado de veias onde talvez o sangue já não corre.

Dêem vivas à superficialidade! Denunciem os que a ela não obedecem à milícia do vazio.
Sentir? deixem isso para os loucos, esse conceito tão ambíguo.
Não é possível existir feridas sem sangue.

Aos ventos que rugem aclamo superficialmente que sou demente por ver tudo tão profundamente.

Sou o que os teus olhos vêem, não o que a alma que te retiraram um dia viu.
Sou este corpo que um dia apodrecerá.
Apenas e só isso...

2 comentários:

Dia da Poesia disse...

nem mais!!! viva as aparências.

Mephisto disse...

Superficialmente pareces-me que ainda vais ser escritor consagrado. Cada vez estás melhor oh azeiteiro!!