segunda-feira, 1 de março de 2010

Deixa-me despir-te lentamente.
Suavemente remover esse vestido de receios que trazes a cobrir o teu corpo.
Quero ver a tua pele sussurrar o que nunca disseste.
Deixa cair lentamente cada peça de desilusões que outros te vestiram.

Torno-me garimpeiro que em terras áridas busca ouros desconhecidos.
O teu corpo cintila na escuridão noctívaga à medida que cada milímetro de pele é desnudado.
O seu brilho é mais contundente que todas as galáxias de todos os universos, reais e paralelos. Eis que ele se anuncia perante mim revestido com um sorriso imortal.

Entrega-me o domínio do teu corpo. Dá-me as chaves para entrar bem dentro de ti.
Cairão nos meus lábios os teus últimos vestígios de humanidade. No meu beijo tornas-te deusa de um Olimpo ainda por descobrir que eu reclamarei como meu.
Sucumbe a esse tsunami, que se forma bem dentro de ti à medida que os meus dedos te tocam.

Estou dentro de ti.
Vagarosamente desfaleces enquanto as vagas de prazeres ainda para ti desconhecidas ganham forma.
Novos mundos irreais desfilam perante os teus olhos. Mundos de desejos inconfessados e inesperados.
É expelido bem das tuas entranhas o sacrilégio de te entregares tão completamente.
Sou inundado por rios com caudais excessivos de sussurros guardados por tempos demais.
Há um doce aroma de morte no ar.
A morte de passados inarrados e inconfessados.
o teu corpo abriu as portas para uma nova dimensão quimérica em que a mente enriquece com novos diamantes delapidados por pensamentos.


Eu... Apenas mostrei que é possível...

2 comentários:

Dia da Poesia disse...

Intenso e bonito!

Dirce Mary disse...

Não tenho nem o que dizer...lindo!