sexta-feira, 11 de setembro de 2009


Para onde caminhamos?
Ninguém sabe a resposta.
Espero que nunca no sentido descendente. A subida é sempre demasiado ingreme e podemos correr o risco de cair no infinito.
Sempre foi mais fácil descer que subir.É preciso uma força sobrehumana para conseguir subir.
Eu já desci às profundezas da existência. Permaneci lá algum tempo observando a paisagem.
Comecei a subida, mas escorreguei sempre.
Comecei a ver beleza na vegetação agreste do abismo.
Comecei a construir a minha casa nos seus terrenos inferteis.
Cultivei martírios e vi-os crescer.
Habituei-me à ideia de lá viver eternamente.

De vez em quando surgiam uns ecos de uma voz vinda do topo das profundezas.
Esses ecos sussurravam o meu nome.
Curioso, recomecei a subida apenas para dar um rosto à voz que chama o meu nome.
Estou quase no topo e consigo ver, encoberto pelo sol, um vulto de feições indefinidas estendendo-me a mão.
Eu sei que és tu...

1 comentário:

Mª Teresa Antunes disse...

Um buraco às vezes podia ser um refúgio, não achas?