segunda-feira, 7 de setembro de 2009


Por entre tudo o que escrevo e amaldiçoo encontrar-se-á algures pedindo clemência as palavras reservadas para mim próprio. Talvez estejam na junção de vários textos, poemas ou simples devaneios literários em que a minha mente aparenta ser fértil. Gosto de escrever para os outros palavras belas enquanto que para mim deixo simplesmentente elas aglomerarem-se e sairem de forma anárquica. Penso nos outros e as palavras fluem com uma velocidade 10 vezes superior à velocidade da luz ou do som. Talvez consiga construir boas prosas e poesias inspirado nos outros. Pelo menos as reacções assim o ditam.
Por isso gostava de sair um dia, ou vários, tal parece ser a minha complexidade, de mim próprio e observar-me de maneira perfeitamente anónima para tentar escrever algo de belo em relação a mim próprio. Olhar para os meus olhos e tentar perceber se eles são belos ou se são apenas reservatórios de lágrimas. Parecem sempre inexpressivos ou ausentes. Sonhadores ou apenas pensadores agregados a um corpo disforme onde a violência parece querer instaurar uma revolução. Eu consigo ver belezas recalcadas onde mais ninguém o parece conseguir. Talvez olhando para mim próprio, não ao espelho, pois esse parece mudar de opinião todos os dias, mas sim como se de um transeunte se tratasse conseguisse ver se tenho ou não beleza. Tentar imaginar os pensamentos que caminham ao lado do meu corpo. Talvez desmistificar toda a complicação que aparenta o corpo errante. Na volta talvez seja de uma simplicidade complexa.
Olhar para mim e escrever um poema sem rimas. Os mais belos não são sempre os que rimam apesar de a sua sedução ser já milenar. Escrever algo de fantástico para mim que me faça ser capaz de sorrir da mesma maneira que faço sorrir os outros. Olhar para as palavras agrupadas de maneira aparente perfeita e querer agradecer eternamente ao seu criador.

1 comentário:

Mª Teresa Antunes disse...

Já disseste coisas sem rimar muito acertadas :P Mas a rimar tb!