sexta-feira, 11 de setembro de 2009


Velhas fotos de pessoas jovens com sorrisos aparentemente eternos.
metáforas de uma auto-intitulada felicidade ou simples prazer de compartillhar minutos de conversa de temas banais tornados filosofias de vida.
cabelos compridos em forma de rebeldia ou apenas conformidade perante as leis da desobediência?
Pactos de eterna devoção a devoção nenhuma.
Liberdades nunca questionadas porque se o fossem deixariam de o ser.
Nunca somos totalmente livres. Por mais que se afirme. Há sempre algo que prende o ser com uma corrente invisível e impalpável. Ela existe.
A distância que nos é permitida percorrer é inconstante.
Quem já esticou essa corrente ao máximo?
Quem a já tentou partir? Filosofos vanguardistas com rétoricas aparentemente perfeitas. Apresentam teorias de liberdades irreais contestadas pela intemporalidade de sistemas políticos ou doutrinas mentais mentais seguidas por percusssores de todas as denominadas formas de liberdade mental.
Todos temos vicíos. Estamos sempre dependentes de algo mesmo inconscientemente.
A liberdade é solitária. E ninguém quer estar sozinho.

O que aconteceu aos jovens nas fotos?
Alguns acreditam ainda hoje nas metáforas criadas por outros. Estão iguais ao que eram há 12 anos. Alguns foram aglutinados por normas que sempre foram contra. Uns chamam isso de crescimento ou maturidade. Eu não chamo de nada. Chamo apenas de tempo. Tempo passado.
Eu que estou nessa foto olho, talvez, com nostalgia porque ainda era mais sonhador do que sou agora.
Já nem nos sonhos sou livre.
Sinto-me velho. Aprendi muita coisa desde os tempos destas fotos. Umas coisas boas outras más.
Mas aprendi, sobretudo, que eu sou eu e que na liberdade condicional em que todos vivemos as fugas controladas e monotorizadas até ao limiar da utopia é o melhor que temos até que nós próprios, como agentes da autoridade, nos mandemos recuar para trás das barreiras que nós mesmos erguemos para observarmos ordeiramente a passagem daqueles, a que nós chamamos de livres.
Gostariamos de desfilar na passerelle dos livres, onde apenas o vento desfila.

1 comentário:

Mª Teresa Antunes disse...

Liberdade condicionada. Extremamente condicionada. Resta nos os pensamentos e sonhos.