quinta-feira, 27 de agosto de 2009















Acordo no topo da montanha que demorei meses a escalar. Sou esbofeteado por sentimentos contraditórios. Estou feliz por ter chegado ao cume, mas, ao mesmo tempo, triste por a escalada ter terminado.
Encho os pulmões com ar puro e liberto um enorme e sonoro grito mudo. O seu eco ribombeia nas escarpas.
Está frio cá em cima. Tudo coberto de neve.
Volta em esoirais de décibeis o grito mudo que lancei e embate em cheio no pico da montanha derrubando-me.
Uma avalanche de lágrimas geladas dirige-se desgovernada pela encosta abaixo, tapando e destruindo o caminho de regresso à base da montanha.
Estou retido no topo de mim. Não consigo sair e agora tenho que desbravar caminho por outro lado.
Olho para o horizonte e vejo uma imensa cordilheira dirigindo-se para mim. Muito mais altas e íngremes são estas montanhas. Estacionam habilmente a meu lado seduzindo-me com os seus caminhos tortuosos até ao topo.
Novas escaladas esperam o alpinista errante.
Espero que os caminhos de regresso se destruam à sua passagem. Muitos cumes aguardam pacientemente pelas suas palavras mudas e avalanches suspiram para se libertarem sobre o seu comando.

2 comentários:

Sofia disse...

Terás sempre montanhas para escalar porque nunca te contentarás com a mais bela que te espera. Quererás sempre umas maiores para escalar.

Mª Teresa Antunes disse...

Um homem com objectivos é um ser que procura a perfeição.

Parabéns pelo que és!