segunda-feira, 27 de julho de 2009

Estás sepultada...
Sempre pensei que quando chegasse a hora de te enterrar escolheria um sítio ídilico para o fazer. Algum local que fosse de extremo significado para mim. Algures entre as mais belas flores e arvores de frutos. Uma localização onde regressaria para te visitar e conversar contigo.
Mas não... A escolha recaiu por um lugar desolador, de impossível acesso e onde jamais conseguirei voltar. Não tens flores à tua volta, mas sim apenas o nada.
Não chorei como esperava fazer. Não senti absolutamente nada a não ser desprezo.
Enquanto escavava a tua sepultura não apareceram boas recordações para me impedir de continuar a escavação.
Depositei o teu corpo completamente absorto e vazio. Cobri-te com as pazadas repletas de terra árida, impossível de se criar alguma vegetação.
Completamente imersa pela paisagem desoladora a tua sepultura desapareceu imediatamente como se não tivesse sequer existido.
Permaneci alguns minutos procurando alguma emoção que viesse chocar comigo, mas ela não compareceu. Então vi as flores do ódio e da maldade a nascer no meio desta imensidão de vazio.
Sei agora onde estás. As flores cresceram monstruosamente em tão pouco tempo.
Foi a confirmação do que suspeitava. A maldade floresceu dentro de ti durante tanto tempo e agora mesmo sem haver possibilidade fisica para neste local se criarem, a maldade floresce na terra.
Assim te deixo, sepultada no meio da tua maldade.
Adeus. Até nunca mais...

3 comentários:

Marina Almeida disse...

Um adeus tão belo pela profundidade sentimental que transmite mas ao mesmo tempo tao macabro...está fantastico...fazes arrepiar só com as palavras. o jantar...vou falar com teresa para ver o dia em que ela pode. o ideal seria no porto, no inicio do mês porque é quando há dinheiro looll

fica aqui o meu mail:
mina-almeida@hotmail.com

Mª Teresa Antunes disse...

É assim mesmo caralho!

DarkViolet disse...

Quando ao "nada" se escreve, nao se estará a fazer uma tela?